A ESCOLA ITINERANTE EXISTE PORQUE HÁ POVO ITINERANTE

“O camponês não pode deixar seu trabalho para andar várias milhas para ver figuras geométricas incompreensíveis e aprender os cabos e os rios das penínsulas da África e se encher de termos didáticos vazios. E os fllhos dos camponeses não podem se afastar léguas inteiras, dias após dias, da estância paterna para ir aprender declinações latinas e divisões abreviadas. E prossegue, se referindo àquela época – a Escola Itinerante é a única que pode remediar a ignorância camponesa. E, nos campos como nas cidades, urge substituir o conhecimento indireto e estéril dos livros, pelo conhecimento direto e fecunda da natureza (Martí, 19950) […]

[…] Comprova-se cada vez mais que as comunidades acampadas recusam uma escola autoritária, fechada em seus muros, distanciada da vida, centrada na sala de aula e perpetuadora das desigualdades presentes na sociedade capitalista. Convictos de que nenhuma escola é neutra, os camponeses e trabalhadores organizados têm tentado, de todas as formas, estudar e compreender esta “velha” escola, e a partir dela forjar uma “nova” escola. Por isso, rejeita-se a decisão autoritária do governo Yeda Crusius e Ministério Público gaúcho, para quem a escola deve atender aos interesses do sistema capitalista, estando os trabalhadores impedidos de recriar suas formas de vida e educação”.

Trechos de “Escola Itinerante – na fronteira de uma nova escola”, livro-tese de Isabela Caminil [na foto], apresentado ontem como lançamento da Expressão Popular [R$ 18]. A professora Marlene Ribeiro, sua orientadora, destaca o compromisso de Isabela com os movimentos populares. “Ela nos instiga a revisar e descobrir sobre o projeto social em que estamos engajados – se popular ou capitalista -, uma vez que não há neutralidade – toda a ação é orientada por uma determinada visão de mundo e concepção política […] Leia o livro de Isabela e tome a sua decisão”, escreve no texto de abertura.

Marlene também apresentou ontem seu livro “Movimento Camponês: Trabalho e Educação” [R$ 20], apanhado teórico dos seus 25 anos de pesquisa na área. “Todas as revoluções tiveram a participação decisiva do campesinato, que é um sujeito histórico em permanente ação”.

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Assista trecho de nossa reportagem É Possível [realizada antes do não reconhecimento dos escolas pelo governo estadual, com a extinção do Parecer nº 1.313/96, do Conselho Estadual de Educação]:

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