A força do JORNALISMO sem patrão e a miséria do jornalismo conivente

Reforça nossa confiança no JORNALISMO AUTÔNOMO, INDEPENDENTE e ENGAJADO que escolhemos para o Coletivo Catarse, quando compartilhamos novidades sobre projetos de vanguarda que alcançam ótima repercussão com nível sofisticado de organização e produção de conteúdo relevante à sociedade. Nosso cooperado Bolívar Almeida voltou semana passada de Buenos Aires com o último exemplar [abril 2010] do MU, editado pela Cooperativa de trabalho LAVACA. Um jornal de puta madre. MU é um dos braços do empreendimento solidário LAVACA, que conta ainda com uma agência de notícias, editora de livro, faculdade autônoma de Comunicação Social, espaço para oficinas de contrainformação, coberturas engajadas em situações de repressão social e agressão ao direitos humanos, ações de formação para organizações sociais e o MU Puento de Encuentro, um espaço físico que é uma loja-bar-livraria-casa coleiva com uma intensa programação cultural.

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NARCO SOJA
Reportagem especial de capa do MU é sobre o envenenamento do campo e dos camponeses argentinos no modelo de morte da soja-dependência.
A revista abre com o caso vitorioso na Justiça do pueblo de San Jorge, em que uma associação de vizinhos conseguiu barrar a pulverização com bombardeios aéreos de agroquímicos nas lavouras fronteiriças à comunidade, que vive no bairro Urquiza, local onde muitos morreram de doenças ligadas aos venenos e a maioria das crianças apresentava sintomas alergênicos desde o nascimento.

Apresenta, na sequência, a exeperiência agroecológica da fazenda Naturaleza Viva, que trabalha a tecnologia de processos biodinâmicos, num modo de aplicar a ciência compreendendo a natureza, onde não se usa herbicidas, pelo contrário, se investe em campos rentáveis, férteis e com melhoramento de solos contínuos.


Dá outra página para uma entrevista sobre o livro Millonarios, chacareros y perdedores en la nueva Argentina Rural, com seu autor Gonzáles Arzac, que relata a verdadeira dimensão da concentração econômica na estrutura fundiária argentina, “donde miles de personas son hoy obligadas al éxodo hacia las periferias de la pobreza humana“.

Outras duas páginas com esclarecimentos do professor Raúl Montenegro, biólogo especialista em temas ambientais, Premio Nobel Alternativo em 2004, sobre La cruel verdad de la soja.
E fecha com a matéria sobre o documentário infantil El cuento de la buena soja [assista o vídeo na janela do Youtube logo abaixo e entre no site do projeto], que numa linguagem fácil convida as crianças a pensarem algumas questões como a origem dos alimentos e as implicações do avanço da monocultura.
Há mais 11 matérias, que ocupam as 24 páginas do periódico, inclusive, uma excelente reportagem sobre a organização do Movimento Sem Teto brasileiro.

 

JÁ O jornalismo DO ATRASO

Agora a comparação, para evidenciar o narco-jornalismo brasileiro da matéria paga, estilo que domina principalmente a cobertura obscura sobre o campo, em que as grandes empresas do setor financiam as investidas midiáticas feitas por jornalistas bundões que fazem qualquer negócio com a venda de seu trabalho para patrões. Ao lado, capa da última edição [também de abril 2010] da “revista do agronegócio brasileiro” ISTO É DINHEIRO RURAL, com reportagem sobre o empresário [que coincidência!] argentino da soja que se tornou o maior produtor de grãos das Américas – 250 mil hectares de área plantada sem ser dono de nenhum deles.

Nenhuma linha sobre envenenamento, nenhum problema ambiental ou social. Só se lê alegria [$$$ a receita anual de Gustavo Gropocopatel é de US$ 700 milhões] e amenidades do tipo: “… ele é fã de Chico Buarque, não perde uma oportunidade de degustar uma boa caipirinha e, ainda que não reconheça que Pelé foi melhor que Maradona, se diz apaixonado pelo futebol brasileiro”. Que bonito, não? Cuantas famílias, ese tío e su clase, han envenenado en Argentina? “La cuenta”, por favor.

Bueno, bueno… – dice la mula al freno.

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