Todo dia é dia de índio

Guaranis das aldeias da Estiva, Lomba Grande, Lomba do Pinheiro e Lami foram ontem à Assembléia Legislativa como parte da manifestação oficial alusiva ao Dia do Índio. Não comemoraram nada, pelo contrário, a reunião promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos a pedido do Conselho Indigenista Missionário (CIMI-Sul) só serviu para confirmar o desinteresse pela mobilização guarani. São incontáveis as demandas apresentadas para garantir a mais simples de suas vontades roubadas, a de conduzir com tranquilidade o caminho da vida plena de seu povo em territórios tradicionais, sempre servido da natureza sadia.

A única deputada presente, Stela Farias, estava ali para cobrir a ausência de seu colega de partido Dionilson Marcon, obrigado a se afastar de Porto Alegre para uma situação de emergência envolvendo comunidades quilombolas do Litoral Sul do Estado.

O registro em áudio e vídeo, praxe em qualquer evento da Casa, não foi previamente providenciado e precisou de solicitação do presidente do Conselho de Articulação dos Povos Indígenas Guarani [CAPI], Maurício da Silva Gonçalves. A lembrança permitiu registrar oficialmente a orientação espiritual da opy Laurinda [na foto na lateral], que num discurso longo, em guarani, disse de toda a tristeza de suas crianças pela perda de suas tradições culturais, as mesmas que minutos antes entoaram o Canto à Tupã, descalças em carpetes, concentradas pela alma, desejando sensibilização entre os povos.

Depois do ritual, a deputada foi surpreendida por cada reivindicação dos guaranis, na maioria direitos fundamentais assegurados pela Constituição. Acabou dizendo aos indígenas que os apoiava [seja lá o que isso signifique], se sentia privilegiada em estar recebendo a comitiva, que os guaranis, quiçá, poderiam encaixar as demandas apresentadas a ela “no espírito democrático da campanha eleitoral do próximo outubro” e que a Comissão deveria organizar um ciclo de encontros para preparar o que ela não sabia se seria dossiê, relatório, diagnóstico, documento ou alguma outra coisa do tipo sobre a situação atual das comunidades no Estado. Por fim, garantiu ao índios que a maioria dos colegas não está sensível a transformar as situações precárias das comunidades. Nada de novidade, declararam as lideranças na conversa que fizemos após a reunião.

E veja lá. No mesmo dia, a agenda da Assembléia estava concentrada no lançamento do programa “Cooperação: o Rio Grande acima das diferenças”, em café da manhã com a imprensa [estramanhos aqui na Catarse: só fomos convidados para o Dia do Índio].

O que propõem os nobres?
Durante este ano, o Parlamento gaúcho vai incentivar a cooperação para que a sociedade viva melhor e as dificuldades sejam superadas. Este é o objetivo da bandeira levantada por Cherini na gestão 2010. “Unidos podemos obter resultados positivos para todos, por meio da difusão de valores, da educação, da solidariedade e do desenvolvimento sustentável”, afirmou o presidente.

Deveriam começar escutando a gravação da opy Laurinda. Gravamos toda em vídeo.

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