Uma tarde de trabalho

Cadê a minha camiseta do Che Guevara?

Lembra quando éramos jovens e idealistas?
Lembra como pensávamos que poderíamos mudar o mundo?
A gente andava por aí de bermuda, estampando na cara os nossos ídolos, barba por fazer, cabelos compridos…
Nossos ideais nos alimentavam.
Lembra como ficávamos furiosos com a injustiça social?
Como discutíamos, inclusive, afinal de contas o que é injustiça social?
Lembra como você me dizia que não conseguiríamos, que estávamos delirando e que seríamos amassados pelo sistema?
E eu respondia que se isto fosse o mínimo a ser feito, então o faríamos com o máximo de dedicação.
Lembro de caminharmos pelas ruas e chorarmos a cada esquina em que assistíamos atônitos o tempo passar com a multidão surda-muda, pisoteando a pobreza com a pobreza de espírito.
Lembra como todos nos desacreditavam dizendo que não seria possível?
Que éramos sonhadores, românticos?
Pois é.
E onde eles estão agora?!
E nós?
Nós estamos aqui, escrevendo a história, construindo o futuro com as nossas ferramentas.
Lembra?!
Não?
Pois ainda vai acontecer…

– foto da entrevista com PC e Paulo Romeu, no Ponto de Cultura Odomode, aqui em Porto Alegre mesmo, para o filme sobre o Tambor de Sopapo

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