Ontem e amanhã, no Morro Santa Tereza

Se alguém ainda não entende por que o Morro Santa Tereza interessa tanto as construtoras, que mobilizam seus amigos no governo do estado para se apossarem da área, olhem esta vista:


As fotos, tiradas por Ana Lúcia, são do campinho de futebol, que fica bem no meio do morro, entre a Vila Gaúcha e a Vila Santa Tereza.


Deve doer nos que acreditam que só gente rica tem direito a usufruir da beleza da vida e a morar em lugares onde se pode ver da janela ou da porta de casa o sol descer no rio, numa cópula dourada que emudece e embriaga qualquer um.

Passamos a tarde de ontem lá, conversando com algumas lideranças comunitárias. Seu Darci, presidente da associação de moradores da Vila Gaúcha, diz que não tem nada contra a Copa do Mundo em Porto Alegre, pelo contrário. Pensa que a comunidade poderia se beneficiar com o evento, ao invés de ser expulsa da área para que empreeendimentos de luxo se instalem ali. Sonha com uma escadaria que ligasse a avenida Padre Cacique com o campinho de futebol, que seria reconstruído pra receber jornalistas de todo mundo, caçadores de imagens e histórias que a comunidade abasteceria com riqueza.

Seria simples, lógico e justo, não vivessemos numa luta de classes. Os que estão no topo da pirâmide econômica têm ojeriza a essa expressão. Têm medo de que, em algum momento, os que estão na base se deem conta que podem enfrentar os negócios dos de cima se unindo e mobilizando, como agora fazem os 20 mil moradores das cinco comunidades atingidas pelo projeto de lei 388, que a governadora armou pra lhes arrancar do local onde estão há 70 anos. Mas pessoas têm raízes. Não é fácil cortá-las quando elas descobrem isso.

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