“De frente pro crime”: carnaval no Brasil

JORNALISMO É SUBVERSÃO. Insistimos com a lição do prof. Ungaretti [leia mais no POntodeVista]: é “a percepção das diferenças onde aparentemente existem apenas semelhanças. Ou as semelhanças onde aparentemente existem apenas diferenças. A absoluta singularidade”. Carta Capital é quem melhor cumpre a função entre as semanais e surpreende com a última reportagem de capa.




Tá lá o corpo/Estendido no chão/Em vez de rosto uma foto/De um gol/Em vez de reza/Uma praga de alguém/E um silêncioServindo de amém”…

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“Sem pressa foi cada um/Pro seu lado/Pensando numa mulher/Ou no time/Olhei o corpo no chão/E fechei/Minha janela/De frente pro crime”…



De frente pro crime, João Bosco

Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém…

O bar mais perto
Depressa lotou
Malandro junto
Com trabalhador
Um homem subiu
Na mesa do bar
E fez discurso
Prá vereador…

Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então…

Sem pressa foi cada um
Pro seu lado
Pensando numa mulher
Ou no time
Olhei o corpo no chão
E fechei
Minha janela
De frente pro crime…

Tá lá o corpo
Estendido no chão…

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