“Faxina social” na Lima e Silva?

Na segunda-feira passada recebemos este email de um fotógrafo da cidade: “Zero Hora homofóbica. Em matéria denunciando excessos de adolescentes nos domingos à noite na Lima e Silva, ZH utiliza quatro fotografias. Duas delas mostram apenas beijo entre casais homossexuais. Descuido ou preconceito?”

Entramos na página de Zero Hora e as fotos estavam lá. Hoje, depois de recebermos um novo contato sobre o mesmo tema, voltamos ao site e as fotos dos beijos foram retiradas. Alguém denunciou o conteúdo homofóbico da maior empresa de comunicação do Estado? Desta vez quem nos escreve é Cleyton Gerhardt, professor de Pós-Graduação da UFRGS. Aqui o seu texto, também publicado nas redes sociais:

Sérgio deu a idéia de hipotetizar sobre os próximos capítulos da “faxina social” na Lima e Silva; aí vão algumas: a) domingo que vem, vão bater muito nos meninos e meninas; b) durante a semana, TVCOM irá “discutir” o tema com “especialistas” no conversas cruzadas (obviamente, nenhum dos meninos e meninas estarão presentes); c) ZH fará reportagem com mãe de menina que “se perdeu” na vida por causa das “más companhias” da Lima e Silva; d) mais porrada na galera no outro fim de semana (a brigada se reúne horas antes e o Coronel Mendes, …aquele, dos tempos da desgovernadora? – sugere levar jatos d’água para “limpar aquele pessoal sujo e imundo”); e) daqui três semanas, as ações de higienização social (a la Zaffari e Guion) chegará no seu ápice (tenho medo até de pensar no que eles estarão pensando nesse momento agora); f) O procurador Gilberto Thums (aquele que queria “designar uma equipe de promotores de Justiça com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade”) entra com ação civil pública declarando a “ilegalidade” dos “sujos da Lima e Silva” e sua imediata “dissolução” (que deverá ser feita, segundo ele, pelas mães da Praça Pão dos Pobres – sim, as mães assustadas nesse momento já se reuniram para tratar do assunto); g) RBS, no Jornal do Almoço, traz reportagem especial (de 10 minutos) em que denuncia suposto elo de ligação entre integrante dos “sujos da Lima” (como bons portoalegrenses, nessa altura o Silva já era) e um contrabandista e traficante paraguayo (alguns dizem que seria pernambucano, outros, maranhense, mas enfim, importa que o estigma identitário venha junto) de cocaína, crack, cogumelos, anfetaminas, bolinhas de gude chinesas etc. h) finalmente, depois de muita resistência, os “sujos da Lima” deixam sua fortaleza na frente do Zaffari e do Guion; i) dizem que no próximo domingo eles estarão se reunindo na frente do Shopping Moinhos; j) por fim, a Melnick Even, construtora do “Spot Lima e Silva” (lembram dela, obra que derrubou uma nogueira secular quase na frente do Guion?) tem alvará liberado para a construção e relança a venda de apartamentos; no Jornal do Almoço do dia anterior, ela havia lançado sua propaganda na mídia, a qual termina com a frase: “Gente de classe para um lugar de classe”… e a história continua…

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