Mais Marília, menos motor

Homenagem de amigos à jovem artista gaúcha Marília, que faleceu no Rio de Janeiro sexta passada, onde estava para participar da Cúpula dos Povos. A sociedade mais justa que ela queria, passa também pela humanidade no trânsito.

Por Jornal Tabaré:
Assassinos sobre rodas circulam impunes pelas ruas, ceifando trajetórias de vida maravilhosas e cheias de caminhos a serem percorridos. A vida não importa tanto quanto a pressa, a dureza do concreto e a sangria ocasionada por essa vertigem do consumo automobílistico. Na última sexta-feira um assassino abreviou, entre a borracha e o asfalto, toda a cor, toda a vida e toda a alegria da Marília (artista porto-alegrense e colaboradora da primeira edição do Tabaré com a bela ilustração que reproduzimos abaixo) fugindo sem prestar socorro e sem que nenhuma notícia registrasse o ocorrido.
Ali, na porta da Cúpula dos Povos, em frente ao Aterro do Flamengo, em pleno Rio+20, quando discute-se justamente os rumos de uma sociedade em que o consumo chegou ao extremo da devastação e da destruição do homem e da natureza. Mas a cidade que abre os braços para os seus turistas é a mesma que não garante uma estrutura mínima de sobrevivência para quem não circula segundo os padrões “seguros” da indústria automotiva, e é a mesma que não noticia, mas reprime. No domingo, integrantes do Ocupa Rio fizeram uma manifestação em memória à Marília, e essa mesma cidade que não garante a travessia de uma rua, coibiu com batalhão de choque aqueles que não deixaram o silêncio tomar conta da perplexidade. Mas que a tristeza se some à revolta em nosso grito de basta! E que ele ecoe tão alto quanto a dor que sentimos agora.

— com Marília.

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