Em frente ao apartamento do prefeito, manifestantes queimam boneco de Fortunati

Por Alexandre Haubrich (Jornalismo B).

A noite desta quinta-feira marcou, em Porto Alegre, um novo destino final para as manifestações que vem tomando as ruas da cidade: o prédio onde mora o prefeito José Fortunati. Foi para lá, junto à Praça da Matriz, que se dirigiram os cerca de 600 ativistas que desde às 18h haviam começado a se concentrar em frente à Prefeitura. O protesto pedia o encaminhamento do Projeto de Lei do Passe Livre, elaborado pelo Bloco de Luta durante a ocupação da Câmara de Vereadores.

A caminhada começou com menos gente, mas, como tem acontecido, a marcha não parou de crescer até que, depois de circular por algumas ruas do Centro, estacionou em frente ao prédio onde mora o prefeito. Ali, um boneco com o rosto de Fortunati foi queimado, e o fogo, incrementado com pedaços de madeira, transformou-se em uma grande fogueira em torno da qual os manifestantes dançaram e cantaram. Sempre observados de longe pela Tropa de Choque da Brigada Militar, que guardava o Palácio de Justiça e o Palácio Piratini, também localizados ao redor da Praça da Matriz. Com raríssimas exceções, os soldados da BM não estavam identificados. De frente para eles, o Black Bloc esteve mais uma vez presente. Um de seus integrantes balançava um osso chamando os policiais. Fortunati estava nesse momento em um evento do Orçamento Participativo, longe de seu apartamento.

Depois de cerca de 40 minutos em frente ao prédio, os manifestantes voltaram a caminhar, retornado à sede da Prefeitura. Logo no início do retorno, um homem cego atravessou a marcha na direção contrário. No início assustado, foi ajudado por um rapaz mascarado. Quase na chegada de volta à Prefeitura, uma lanchonete do McDonalds teve os vidros quebrados, mas com os gritos, vindos do carro de som, de que havia trabalhadores do lado de dentro, a ação foi encerrada e todos chegaram ao destino. Ali, a Guarda Municipal seguia posicionada em frente ao prédio – todos, com apenas uma exceção, sem identificação. Perguntados sobre isso, alguns guardas se irritaram, outros não responderam, e dois afirmaram que não há nenhuma necessidade de identificação, já que “somos da Guarda Municipal, essa identificação é mais do que suficiente”, conforme um deles. Diversos manifestantes reclamaram da falta de identificação, algo que tem sido recorrente nas manifestações em Porto Alegre. Quando a banda que acompanhou todo o ato parou de tocar, os ativistas começaram a ir embora. Eram 22h e, depois do boneco queimado, o recado estava dado: “somos o povo, e o Passe Livre os ricos vão pagar”.

Texto e Fotos: Alexandre Haubrich

img_9624

img_9714

img_9741

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *