Casa retirada do Inventário do Patrimônio gera mobilização em Sant’Ana do Livramento

Retirado do facebook: Eu digo não à destruição de Santana do Livramento

Discussão em torno do tema é motivada após a negativa do legislativo sobre decisão do executivo de manter um exemplar da arquitetura eclética na lista de imóveis classificados como de interesse patrimonial para o município.

foto livramento
Foto: Ubirajara Lins

Mais de 20 pessoas estiveram reunidas na última terça-feira, na praça Gal. Osório, para discutir a decisão dos vereadores de retirar um imóvel do Inventário do Patrimônio Cultural do Município. Participaram da discussão arquitetos, professores, fotógrafos, comunicadores, atores, além do secretário de cultura J.N Canabarro e de Estela Paiva, ex-proprietária do imóvel em pauta, localizado na Rua Rivadavia Corrêa, 187 (foto). Após cerca de meia hora de conversas, os participantes optaram por buscar reverter a decisão via denúncia no Ministério Público. A tentativa, nesse primeiro momento, será de impedir que o prédio seja retirado do inventário e, por consequência, que a manutenção da fechada possa ser exigida.

Conforme Carina Benitez, arquiteta especialista em Planejamento Urbano e História da Cidade pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e realizadora do inventário no ano de 1996, os critérios para a escolha dos imóveis que compõem a memória edificada do município seguiram as normas do IPHAE-RS (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado). “Entre os lugares mais antigos do Estado, está a região da fronteira, representada por cidades como Livramento, Jaguarão, Pelotas, Bagé, Alegrete e Uruguaiana. Se nós conseguirmos nos alinhar com esses municípios, podemos montar um circuito de turismo incluindo ainda as cidades uruguaias e argentinas que tenham seu patrimônio preservado”, explicou a arquiteta.

Quem também citou localidades próximas, foi a arte educadora Dionéia de Macedo, autora da pesquisa “Arquitetura Eclética da Fronteira da Paz”, realizada para uma disciplina de Mestrado na área da Patriônio da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas). “Temos o exemplo de Pelotas que recebeu verba federal do “Programa Monumenta”. Lá foram identificados sítios arquitetônicos com prédio erguidos na mesma época ou com o mesmo estilo”, lembrou Macedo, enfatizando que a casa em debate compõe um conjunto com outras que possuem as mesmas características de construção.

Em sua fala, o Secretário de Cultura de Sant’Ana do Livramento, lembrou que os santanenses já perderam prédios históricos como a Delegacia de Polícia e o Parque Hotel. “A todo momento, novos imóveis estão sendo colocados à prova porque as pessoas que questionam o inventário não sabem uma vírgula sobre o conteúdo dele. Por outro lado, os que conhecem um pouco mais acabam por priorizar os interesses econômicos”, declarou Canabarro.

A ex-proprietária

Ao chegar na reunião, Estela Paiva, ex-proprietária da casa recebeu sorrisos e cumprimentos dos presentes. “Aquela casa tem história, foi construída por Joca Paiva, meu avô, que ergueu o primeiro saladeiro do Rio Grande do Sul”, contou a herdeira que há sete anos perdeu o imóvel para o atual proprietário por dívidas. A casa foi um presente de quinze anos para a senhora, que hoje completa 82. Luciane Mazetto, nora de Paiva, lembrou o fato de que poucos dias após a retirada dos antigos proprietários, diversos cômodos foram demolidos, restando pouco além da fachada.

Ao concluir as ações relativas a esse imóvel, o grupo deve se manter em atividade. Conforme ficou acordado no encontro, o próximo passo a favor da conservação do patrimônio é concretizar a formação do Conselho de Patrimônio para dar encaminhamento ao tombamento das principais casas do inventário. Também devem ser estudados outros mecanismos que impeçam novas tentativas de descumprimento das normas do Plano Diretor.

Atual responsável

Conforme uma das funcionárias do escritório da família do empresário Nicola Galanos, o imóvel pertence aos familiares do empresário e a intenção é construir um prédio no local. Sobre a possibilidade de manter a fachada, a funcionária não soube responder. Não foi possível falar diretamente com Galanos que encontra-se fora da cidade.

Eu digo não à destruição de Santana do Livramento!

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