O judiciário que absolveu o Collor quer prender 6 ativistas do Bloco de Lutas

Por Matheus Gomes

Dia 15 de maio o judiciário abriu processo contra 6 membros do Bloco de Lutas. Nós estamos sendo acusados de associação criminosa, dano ao patrimônio público e privado, agressão à pessoa, uso de artefato explosivo e explosão. A soma das penas pode levar a 20 anos de prisão. Faltando menos de 20 dias para a Copa do Mundo da Fifa, o judiciário cumpre o papel de carrasco para tentar afastar os jovens das mobilizações e intimidar o conjunto do movimento crítico à Copa.

Em alto e bom som dizemos: não compactuamos com os black blocs. Milito em um partido que nacionalmente se colocou contra a “tática” Black Block. Para nós, quebrar vidraças só servem para justificar a repressão e isolar o movimento. Acabam por atrapalhar a construção de grandes manifestações e não servem aos interesses dos trabalhadores. Nada temos a ver com esses rapazes.

No entanto, Dilma, Tarso e o PT, forjados nas lutas do povo, querem resolver os problemas sociais à base de bomba, porrada e processos. A presidenta já investiu 1,9 bilhões no esquema de segurança da Copa. E pra saúde? E pra educação? A verdade é que o processo contra os seis do Bloco tenta se apoiar no papel político que os militantes cumpriram nas mobilizações de Junho de 2013 para afirmar que são uma quadrilha organizada para cometer crimes. Nos 50 anos do Golpe Militar no Brasil, o processo é tão absurdo que diversos juízes, professores e ativistas dos direitos humanos repudiaram o seu caráter estritamente político.

O Judiciário que absolveu Collor e mantêm tantos outros corruptos e criminosos soltos, quer colocar seis jovens que se indignam com a situação do povo no nosso país atrás das grades. É a contradição que o os tribunais terão de conviver caso insistam na perseguição aos lutadores. Em todo o país, já são mais de 130 inquéritos e indiciamentos. Um recado queremos deixar: saibam que das ruas e dos protestos não sairemos e que, como diria Gonzaguinha, “se mandar calar, mais eu falo”.

Matheus Gomes, da executiva nacional da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre! (ANEL) e um dos seis processados do bloco de lutas

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