Estado do RS não apresenta proposta para famílias da Lanceiros Negros

Seis mil prédios desocupados pertencem ao Estado do RS, informaram integrantes da Procuradoria-Geral do Rio Grande do Sul, na audiência conciliatória que aconteceu na quarta-feira, 29 de junho, no Foro Central de Porto Alegre. Mas na busca interna que o governo fez para encontrar alguma proposta para a Ocupação Lanceiros Negros não acharam nada. Nada onde setenta famílias possam morar, já que o governo não abre mão de ter de volta o prédio que ocupam na esquina das ruas General Câmara com Andrade Neves. Mais um prédio antes desocupado para se somar agora a estes seis mil. E o governo alega que paga aluguel para secretarias do Estado, num montante de mais de 30 milhões de reais, e precisa do prédio que se transformou em moradia para dezenas de famílias para instalar uma destas repartições e economizar uns trocados. Você entende isso? Nós não, já que outros seis mil imóveis do Estado serão leiloados para fazer caixa ou colocados em permuta para a construção de unidades prisionais. Esta é a prioridade.

O governo também diz que não faz parcerias com movimentos que reivindicam o direito humano básico de acesso à moradia. Isso precisa ser feito com as prefeituras. O governo só negocia áreas através dos municípios. Mas com a iniciativa privada negocia. Ou não? A determinação da juíza, então, é que Estado e Prefeitura de Porto Alegre conversem sobre o futuro das famílias. Querem um cadastro no DEMHAB que, segundo o promotor, tem a “expertise” para lidar com o assunto. Mas quem mora em áreas por onde passa os interesses econômicos da cidade dos negócios pensa muito diferente. Basta consultar o pessoal da Vila Cruzeiro, na Rua Moab Caldas, por exemplo, pra saber como o DEMHAB atuou por lá quando iniciaram as obras de duplicação da avenida, na correria para atender a Copa do Mundo de Futebol.

Nada. Nenhuma proposta. Nenhuma solução. Apenas a determinação de que as famílias saiam do prédio. Uma nova audiência foi marcada para o dia 15 de agosto. Até lá, os moradores da ocupação terão mais um mês e meio pra viver a nova vida que estão construindo no Centro de Porto Alegre.

Abaixo, depoimento de Queops Damasceno Carneiro, representante da Ocupação Lanceiros Negros, após a audiência desta quarta-feira (29-06-16).

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