Odins Kriger Fest: uma noite com muitas surpresas

Dia 3 de dezembro, em Porto Alegre, rolou o Odin´s Krieger Fest 2017 – Invasão Pirata, que trouxe pela primeira vez para o Brasil a banda Alestorm, da Escócia.
Mas, antes de falarmos da banda, temos que falar sobre o festival em si. Este teve origem em São Paulo no ano de 2011, com foco na cultura folk/viking e, pelo que andei pesquisando, vem a cada edição reunindo em suas “tabernas” uma horda de “marinheiros, piratas e vikings”, sempre trazendo essa temática e, claro, bandas, expositores e atrações musicais com a mesma pegada.

Eu frequento o cenário underground rock’n roll da nossa capital gaúcha faz um bom tempo já. Tenho um conhecimento do que rola no geral em nosso estado e fora dele e confesso que fiquei impressionado com a cena “folk/metal”. Tá certo que Alestorm é uma banda da Europa, e todos sabemos que, quando vêm bandas de fora do BR, sempre rola um movimento a mais. Mas somente com bandas “renomadas” que se vê uma fila de “guerreiros” com mais de 1h de antecedência para abertura do local.

Então, foi assim… Galera chegou cedo na Cidade Baixa, na frente do Preto Zé, local onde aconteceu o evento, e lá permaneceu cantarolando e – claro – bebendo muita cerveja. Aliás, essa é a tradição: canecos sempre cheios e cantorias de aventuras, totalmente o contrário da realidade que sempre presencio, que é o pessoal se reunindo em bares na volta, onde cerveja é mais barata, e só entrando quando a banda principal está prestes a tocar, os poucos que entram para prestigiar as bandas de abertura – quando tem – permanecem em sua maioria com aquelas famosas poses de “fiscais do underground”.

Infelizmente, os integrantes do Alestorm tiveram que pegar vôos separados, e isso gerou atrasos, mas nada de muito alarmante para o pessoal que já tem uma experiência nesses eventos. Mas a galera na rua não curtiu, afinal já estavam lá há mais de horas e loucos para beberem mais cerveja. Isso mesmo, gurizada aos berros: “podia estar bebendo ali no bar!”. Algo bem oposto quando muitas vezes o pessoal aproveita que a área de fumantes é na rua e escapa para bares tomar ceva, que às vezes custa a mesma coisa do que no local do show. Mas vai entender essa cultura…

Enfim, vamos às bandas e aos shows, pois o portal do Odin´s Krieger Fest foi aberto perto das 18h e, no evento, constava às 17hs, então, aquele “mar” de loucos por cerveja, diversão e música começou a entrar, e, logo, a casa já estava lotada com o show da primeira banda da noite, que foi o Bando Celta, de Porto Alegre, pessoal que toca um celtic/folk a caráter literalmente. Eles fazem um som instrumental que encaixou bem como abertura da festa, o público vibrando e agitando tempo todo. Fiquei surpreso com tamanha interação, depois, fico sabendo que eles já são um conjunto musical com renome nesse cenário, totalmente novo para mim.

Voltando para a realidade do evento, eis que entra a banda Lugh, de Santa Maria, uma banda que mistura o punk com celtic e rock folk, eles são uma banda da qual eu já ouvi falar e também frequentam o mesmo cenário underground na qual atuo mais, mas ainda não tinha esbarrado com eles em um palco. Os caras são “massa”, show enérgico do início ao fim e com muita cerveja. Gurizada faz jus e não “arrega” antes, depois e pós show, MUITA CERVEJA!!! E o público?! Cara!
Até os “piá” de SM se surpreenderam com a recepção da galera, que gritava, aplaudia, bangueava e interagia com a banda de forma verdadeira, pois estavam se divertindo e curtindo a sonzeira do Lugh.

Bom, eis que sobe no palco a banda Hugin Munin, de Santos (SP). Os caras fazem um heavy Metal pesadaço, com influência nórdica, que realmente faz sentir em uma batalha pelas montanhas, como o próprio vocalista assim definia a presença de palco. No fim da primeira música – e nas seguintes -, interagindo com a galera como se estivessem todos num campo de batalha, cada final de música era uma vitória conquistada, pois a temática das letras remetiam a esse universo. Depois, pesquisando a banda, descobri que os caras já existem desde 2007 e entendi o porquê daquele público estar em “transe”: os caras têm postura de banda grande, produzem material e interagem com a galera e estão sempre presentes nesses eventos sem o ar de “rockstar”. O show deles foi algo inesperado, o público interagia a cada acorde, a cada palavra, e rolou até aquele famoso “divisor de águas”, que culmina numa quebradeira geral, assim que o peso do som retoma com tudo. Foi insano!

E chegou a hora do Alestorm subir no palco do Preto Zé. Para quem já frequentou o bar, sabe que, para acessar o palco, tem que se cruzar a pista, e, mesmo antes da Hugin Munin acabar o seu show, o vocalista/sintetizador e o tecladista já estavam no meio da galera interagindo e batendo selfies, só esperando o momento de subir.
Pelo visual da banda, tu não diz que eles vão tocar um folk/metal, já que todas bandas estavam meio a caráter conforme seu som – até no público tinha muito chapéu de pirata e pessoas fantasiadas “atuando”, fazendo caras e bocas.

Voltado ao Alestorm, na minha pesquisa pós show, confirmei que esse é o visual que eles vem mantendo, algo mais pop meio “despreocupados”.

O que posso falar é que é um peso que, ao mesmo tempo, é suave, devido ao fato do vocalista também tocar um daqueles teclados/guitarras e o outro tecladista abusar de efeitos e firulas bem características dessas bandas de metal/folk/pirata, com riffs bem dançantes, para cantarolar bebendo cerveja e erguendo os canecos. Não tem como não se divertir escutando o som deles.

Sobre as letras, elas falam de cerveja, rum, aventuras, festas em tabernas, tudo com muita diversão e presença de palco com uma interação forte com o público, que sempre respondia e pirava a cada interação divertida da banda com a galera, ainda mais quando eles tocaram o último som, que se chama “Fucked With An Anchor”, um som muito divertido que parece que eles mesmo estão folgando no próprio estilo musical, e a galera toda cantando em coro o refrão e mandando aquele “fuck you” em gestos para a banda, e a banda retribuindo da mesma forma.

Mas, certamente, o ápice foi depois do show, quando o vocalista realizou um stage dive na galera, que ergue ele firmemente, e ele “surfa” pelo “mar” de pessoas todas com as mãos erguidas, sem fraquejar. Ele surfa por um longo caminho e retorna para o palco onde segue mais uma interação interminável com público, e, aí, é que se encerra o meu trabalho fotográfico e este texto, senão….

Foi uma noite muito forte e surpreende!

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Texto e fotos: Billy Valdez
Revisão e edição: Gustavo Tourck e Marcelo Cougo

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