3° ROLE HC e a dificuldade de ser um produtor no underground

Dia 16 de dezembro rolou a 3ª edição do evento ROLE HC, que é encabeçado pela banda Boca Braba Hardcore, de Viamão, e sempre conta com uma cooprodução colaborativa das bandas que eles convidam.

O ROLE HC é um evento com data marcada sempre para o final do ano, que marca o final de um ciclo da Boca Braba, quando eles realizam seu último show do ano, e geralmente sempre acaba sendo o último show das bandas que eles convidam também. Com isso, sempre se forma um clima de união e diversão com a galera e as bandas envolvidas.

Para esta 3ª edição, foram convidadas as bandas Troll, Roleta Russa, CxFxC e Hempadura.

O que podemos dizer da festa é que foi uma junção de amigos das mais distintas vertentes do hardcore pesado, são bandas que já vêm a algum tempo movimentando o underground rock’n roll/metal da capital gaúcha e fora dela, já que este ano os Boca Braba Hardcore estiveram numa minitour pela capital do Brasil – e bem que poderiam ter tocado fogo literalmente, né? As demais bandas tb já estão calejadas de pegar a estrada e divulgar sua música em diversas cidades.

E tudo rolou perfeito como combinado e organizado – a não ser pela produção do local, o Riff-E Bar, com quem se acertou que a casa abriria as portas às 17h com os shows começando às 20h, para a festa acabar no máximo à 1h da manhã, pois foi esse o limite que havia sido imposto pelo bar nas conversas de produção do evento. Mas, quando chegamos no local, a situação estava fora de controle da produção do evento, pois o dono do bar “fincou o pé” que só abriria o bar às 22h e que poderia acabar depois da 1h da manhã, que não haveria problema em se terminar depois desse horário. Ou seja, toda uma produção e divulgação forte foi por água abaixo. Eram 20h e já tinha uma galera na frente do bar. Eu precenciei algumas pessoas se informando de que iria atrasar o evento, fazando com que virassem as costas e fossem embora. Também alguns amigos não puderam ficar até o final para ver todos os shows exatamente pelo horário.

Infelizmente, isso é algo muito ruim para o underground local, pois se faz uma produção e organização digna de evento grande, pois as bandas não são mais “de gurizada de 12 anos”, simplesmente, recém saindo da garagem. São bandas com trabalhos sólidos e postura profissional, porém, como ainda não têm “nome”, as casas de shows deitam e rolam, deixando prejudicados e com nome sujo no cenário as bandas e produtores. Mas, enfim, essa é uma realidade local, com a falta de valorização dos artistas – pauta para um outro texto.

Então, seguimos no “Role”, o bar abriu às 22h e já começou com pedrada da banda Troll, de Porto Alegre, que faz um death/grindcore com crossover. Eles mandam um som brutal e forte, fazendo jus ao nome “Troll”.

Na sequência, quem subiu no palco foi a banda Roleta Russa, de Alvorada. Os malucos são “chinelo”, fazem um hardcore com pegada new metal de “vagabundo”, com letras de forte posição social e riffs cadenciados, que mantêm a galera batendo cabeça do início ao fim.

Depois subiu a banda CxFxC, de Canoas, banda com mais de 20 anos sem nunca ter parado, os caras fazem um crossover-trash forte e rápido, com solos de guitarra com aquele sentimento que te levanta de emoção e refrões grudentos tanto em letras quanto em riffs.

Se encaminhando para o final do evento, antes dos anfitriões BBHC, sobe ao palco a Hempadura. Bom… Como é minha banda, não tenho como falar muita coisa. Fizemos um show bom, pois o som estava ótimo, e os amigos pilhando no nosso hardcore.

Vamos, em fim, aos Boca Braba Hardcore, mulecada de Viamão, com 4 anos de estrada, 1 ábum e um EP lançados – e com um show pesado, rápido e cadenciado. Sim! Isso é possivel! E eles conseguem fazer isso muito bem, sem falar nas letras sociais, que metem o dedo na ferida mesmo. A gurizada curte, pois estamos precisando de bandas assim.

Infelizmente, pelo horário de atraso, o pessoal não ficou em peso até o final do show dos BBHC, mas quem ficou se divertiu, curtiu e saiu de alma lavada. Foi um rolê muito foda!!!

Fotos: Billy Valdez e Sheiná Botega

Texto: Billy Valdez

Revisão e edição de texto: Gustavo Turck e Marcelo Cougo

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