Tainhas no Dilúvio – Episódio/cena 4: (i)mobilidade

O meio ambiente em uma cidade grande – até mesmo média – nunca é prioridade. Praticamente todas têm pelo menos um rio que a atravessa ou que a faz margem, e todas estas despejam seus dejetos no mesmo. O tempo vai passando, a cidade crescendo, “urbanizando”, e as reclamações não são mais sobre a poluição do rio ou do riacho, mas do valão, do esgoto a céu aberto. Ninguém mais lembra que ali pode ter – e tem! – vida.

Mas como perceber essa paisagem por detrás de um volante? Como contemplar uma possível beleza nos últimos suspiros da vida em águas encarnadas de esgoto químico, se o vai e vem frenético dos seres motorizados dá caminhos certos bem longe da natureza?

A singeleza de um caminhar e de um andar de bicicleta pode, sim, mudar as cidades, realçar a percepção de quem ouve, ao invés das buzinas das rádios que vendem uma vida hermética e clean, o ar passando, a água correndo e, sim, até mesmo a sinfonia dos motores se somando à orquestra natural que resiste em tocar.

Assista ao episódio de hoje no site do projeto Tainhas no Dilúvio.