A força que está com eles

A Polônia é o país de Karol, que propagava que Igreja e Religião não se misturavam… Claro, desde que a mistura não fosse a do outro, a do que pensasse diferente.

Polônia, América do Sul… Universos diferentes e tão próximos nessa disputa.

Numa dessas noites, estive no Opinião, clássico espaço de shows de Porto Alegre, com a cabeça sempre cheia dessas conjecturas políticas. Vivo no Brasil, sempre curti o assunto, nunca deixo essas questões de lado. Confesso ter modificado minhas relações pessoais por causa de política – lembro de já ter dito isso aos quatro ventos, levo o lance a sério. Em rápida conversa com alguns velhos e queridos companheiros de tantas aventuras metalísticas, velhas bandas, velhas Oswaldos, ouço a fatídica sentença de que amigos de longas datas, essas amizades, não deveriam ser transformadas por questões de diferenças políticas. O que importaria acima de tudo seria a música – Karol também dizia isso, que metafísica e realidade não se misturavam. De qualquer forma bateu… Refleti, reflito. Deixei de falar com diversas pintas. Algumas mais especiais que outras, por motivos também especiais.

Mas será que eu passaria boa parte desse show pensando nisso? Parecia adequado filosofar sobre amizade, política, egos, vaidades, mais um monte de coisas… Enquanto via a Vader fazer sua apresentação!

Putaquiupariu!!! -> xingamento machista on

Foi um desafio pensar em qualquer coisa que não fosse a sonzera que tava rolando, com uma luz muito legal, um som porrada, bem equilibrado, pesado, rápido, totalmente de acordo com o que eu esperava em um evento da Abstrati – falo bem mesmo! É um monte de contribuição importante dessa produtora pra quem gosta da cultura do rock pesado.

Sobre a Vader em si, eu já havia escutado alguns sons da banda por vezes. Curti, achei bem tocado, metal, essas coisas.

Mas a banda ao vivo é fantástica!!! Emociona!

Eu fico sempre muito eufórico em ver músicos de metal tocando tanto, tudo juntinho, técnicos – bases, performance bacana, bate-cabeça, aquela beleza do peso e das luzes vermelhas, aquele velho sentimento… Foda! Nunca fui fã dessa banda, então, quase tudo soava como novidades e coisas bem feitas, solos divididos entre um e outro guita, fraseados, arpegios e hammer ons, alavancadas… Aquilo tudo que a gente gosta bem. O guita-vocal é um fenômeno! Canta muito, com ótimas divisões de vocal (flow?) e um timbre muito bom pro estilo.

A galera presente era de um misto de pessoas mais velhas – que nem eu – com outras mais novas. Cabelos curtos, cabelos compridos. Nenhuma roda se formou. As mãos sempre levantadas com chifres e muitas respostas quase empolgadas às palavras em português – usuais na performance do nosso grande Piotr “Peter” Wiwczarek, guitarra, vocal, fundador e certamente um maluco pelo metal na Polônia e em qualquer outro lugar do mundo, como aqui em Porto Alegre, maio de 2018.

Entramos, eu e Billy, um pouco depois das 19:30. Portanto, depois do show de abertura da Dying Breed. Falando com André Meyer, vocal da Distraugth, um dos velhos companheiros de empreitadas metálicas por esse “mundão” de Porto Alegre, fiquei sabendo que o show de abertura foi foda – som muito bem equalizado e que a banda fez por merecer a honra de abrir para os Monstros Poloneses. Isso é bom! Que sigam fazendo seu som em palcos por todo esse Planeta que a cada dia se torna cenário mais que perfeito para o som extremo.

O Vader começou assim também e, hoje, toca em turnês, grava, cria arte, vive o metal. Fazer Death Metal na Polônia da década de 80 do século passado era um ato político. Fazer Death Metal no Brasil ou em qualquer parte desse mundo também é.