Caravana de Solidariedade Internacional pela Nicarágua: o papel do movimento feminista na luta

Está passando por Porto Alegre, do dia 30/08 até 01/09, uma caravana de ativistas da Nicarágua denunciando as violações de direitos humanos por parte do governo de Daniel Ortega. Nesta sexta feira, a equipe do Coletivo Catarse conversou com Ana Marcela, nicaraguense que mora em Porto Alegre há mais de vinte anos e uma das criadoras do comitê de solidariedade com a Nicarágua.

Antes do evento “Movimento feminista na Nicarágua e a luta contra o autoritarismo”, realizado na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FACED/ UFRGS) contou um pouco sobre a situação da crise humanitária que o país está vivendo. Ela relembrou a revolução Sandinista, que permaneceu no poder por dez anos durante a década de 1980.

O presidente que exerceu este mandato nos anos 1980 — Daniel Ortega — voltou ao poder em 2006. Porém, na visão de Ana, Ortega teria mudado muito e nesta nova fase estaria se reelegendo de maneira inconstitucional e “ construindo um governo muito repressor, muito autoritário baseado na chantagem e no medo”.

Segundo Ana, mesmo tendo retirado vários direitos da população, o presidente usa um discurso de esquerda para confundir as pessoas e se manter no poder. Outra denúncia de Ana Marcela é sobre a repressão. Ela acontece contra diversos tipos de protesto, mas os movimentos feministas “tem sido alvo de repressão constante nesses últimos dez anos”. Dentre diversas denúncias, o presidente Daniel Ortega é acusado de ter violentado sexualmente sua enteada ao longo de vinte anos.

Porém, a situação do país se agravou a partir de abril deste ano. A população foi a rua protestar contra uma tentativa de reforma da previdência decretada por Ortega. O governante reprimiu as manifestações não só com a polícia mas também com “grupos paramilitares”.

A repressão gerou mais protestos: a população construiu barricadas, ocupou universidades e construiu diversos espaços de resistência não armada. Porém, a repressão foi se tornando cada vez mais violenta. De acordo com Ana Marcela, desde abril já se contabilizam mais de 400 mortos, além de desaparecidos, feridos, pessoas presas de maneira arbitrária e pessoas migrando.

Neste contexto, organizou-se uma caravana para divulgar a situação do país internacionalmente e pressionar o presidente a deixar o poder. Para saber mais e ajudar acesse https://solidariedadecomnicaragua.com/. A entrevista completa com Ana Marcela pode ser ouvida no programa Heavy Hour do dia 31/08, disponível no site do Coletivo Catarse.

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