Sublime em Porto Alegre

Era quinta feira, dia 13  de setembro de 2018. O Opinião estava lotado de gente diversa, que misturava fãs de rock e de reggae. Todos olhavam ansiosamente para o palco, no qual um telão anunciava a atração da noite: Sublime with Rome, produzido pela Abstratti.

Pra quem não conhece, a banda vem da Califórnia e fez um grande sucesso nos anos 90 ao misturar punk, reggae e ska. Porém, pouco antes do lançamento do álbum “Sublime”, que tornou a banda mundialmente conhecida, o vocalista e guitarrista Bradley Nowell morreu de overdose de heroína. Em 2009 a banda se reuniu com o vocalista Rome Ramirez, originando o Sublime with Rome.

O show começou de forma simples e súbita: Rome surgiu no canto do palco e pegou o microfone. Gritos e aplausos tomaram o ambiente enquanto o telão subiu e revelou os outros integrantes da banda se preparando em seus instrumentos.

Eric Wilson, único membro da formação original do Sublime, testava o baixo enquanto fumava um cigarro. Tinha um jeito de quem está “cagando”, de alguém que já olhou a morte nos olhos tantas vezes que já não consegue fingir que se importa com as banalidades da vida.

Carlos Verdugo comandava a bateria. Sem camisa e exibindo uma infinidade de tatuagens, o jovem punk completava o trio que assumia o palco. Contou o tempo freneticamente e o som começou.

O hardcore californiano abriu o show e dominou a sonoridade. A banda tocou clássicos do início da carreira – como Wrong Way e Santeria – e também músicas mais recentes, como Panic, e buscou mesclar punk, reggae e ska.

Mas o punk se sobressaiu bastante. Nas músicas que deveriam ser somente reggae – como o cover de Legalize-it -, a bateria soava quadrada e com pouco swing. Bumbos repicados em excesso também quebraram um pouco a atmosfera dos reggaes.

Por outro lado, o ritmo do show foi bem interessante. A alternância ajudou a manter o clima sempre novo e cativante. A sensação era de uma viagem de skunk californiano, que às vezes embalava suave ou assumia tons frenéticos de ansiedade e paranóia.

Vale parabenizar a banda, que passou de reggaes lentos até skapunks alucinantes numa fração de segundo, de forma sincronizada e bem ensaida.

A interação de palco também foi um ponto a se destacar. Rome, cheio de entusiasmo, instigava a galera a cantar e participar. Em um momento, vendo que grande parte do público registrava o show com o celular, desceu do palco e tirou selfies com os fãs.

Infelizmente, não houve shows de abertura. Não sei se foi uma escolha da produção para que o show acabasse mais cedo ou uma exigência da banda principal, mas o certo é que bandas locais – como ButiaDub e Afroentes, que fazem reggaes autorais de altíssima qualidade – não tiveram a chance de mostrar seu trabalho ao grande público do Opinião.

Enfim, a noite foi  legal;  deu pra curtir, bater cabeça e viajar um pouco…

Sublime with Rome Porto Alegre (2018)

*fotos de Billy Valdez

One thought on “Sublime em Porto Alegre”

  1. Um baita show, para um público de merda.
    Quando as pessoas perceberem que mais vale viver um show do que ficar gravando com o celular, o Punk volta a respirar!

    De que adianta ficar o show todo com o celular na cara, se depois o resultado é um vídeo que ninguém mais vai assistir, até porque a qualidade do audiovisual do celular é ridícula?

    Vivam o Punk, vivam o reggae, Vivam o Hard Core, vivam a música, o show e deixem que profissionais se encarreguem das mídias!

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