Filmografia Social – Mr Robot

Mais uma história de futuro distópico, como The Handmaid’s Tale – mas, no caso, poderia-se relativizar e dizer que é mesmo utópico… Mas por quê? Porque Elliot faz a revolução.

Um rapaz solitário, de realidade esquizofrênica, um gênio dos computadores, está no meio de um emaranhado que segura todo o sistema financeiro e político mundial. Elliot é um programador que passa a batalhar contra um império por dentro – mas por dentro mesmo, nas sequências de código que contrói e desconstrói, demonstrando que a liga da vida cotidiana do mundo real é muito mais virtual do que se imagina.

Mas as coisas acontecem mesmo é ali fora da tela e do sistema binário de zeros e uns, ali no escritório ele é acossado pelo chefe, em casa, tem dificuldades de se relacionar com a “família”… Aos poucos, vai-se desvendando um passado de violência que é a raiz de seus delírios atuais.

Mr. Robot é um seriado que está em sua terceira temporada, pasas no canal USA, mas é fácil de ser encontrado em aplicativos de torrent como Popcorn Time entre outros – com legendas em português, inclusive. Indispensável para entender, sim, as relações de poder atuais com o uso da tecnologia e como isso acaba por influenciar diretamente as vidas de todos.

NOSSA AVALIAÇÃO
Gênero: ficção científica/drama existencial
Temática Social: solidão, assédio, opressão social
Público-alvo: pessoas que curtem filmes como V de Vingança e Clube da Luta, que entendem de programação, de sistemas integrados, ou que se interessem por grandes conspirações e a derrubada de grandes corporações que dominam governos
Roteiro: 
(a história é confusa, porque Eliot é confuso, e o roteiro conseguiu expor isso majestralmente, só não leva os cinco sois catárticos em razão de que a complexidade atingida dificulta por vezes entender a linha temporal dos acontecimentos – e isso pode ser aborrecedor)
Dramaturgia: 
(fantástica! A estética é das melhores já realizadas, com enquadramentos que poderiam ser considerados ridículos em qualquer oficina de produção audiovisual, mas que funcionam e dizem muito sobre o ambiente que se quer retratar. As atuações do personagem principal, Elliot – Sam Esmail, o Fred Mercury do recém lançado Bohemian Rapsody -, e seu “pai” – Christian Slater, sim! – são absurdas, mas todos estão muito bem, inclusive personagens secundários que normalmente seriam insonsos)
Aprofundamento da Questão Social: 
(esta avaliação é interessante, pois considero não dar os cincos sois pela mesma razão que não daria os 3, há um aprofundamento das questões relacionadas a assédio e solidão no seriado, mas é sutil, é preciso um olhar muito atento e, ao mesmo tempo que isso pode passar despercebido exatamente por não ser mais superficial na trama, tem ação no subconsciente de quem assiste e faz tocar mais fundo)

Por Gustavo Türck

– Filmografia Social é um conteúdo apoiado pela Graturck – perícia social, consultoria e cursos (www.graturck.com.br) e é publicado simultaneamente no site/redes do Coletivo Catarse e no site/redes da Graturck todas as quartas-feiras

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