Mortandade de abelhas causada por agrotóxicos se torna objeto de processo no Ministério Público Federal

No dia internacional da Biodiversidade- quarta feira, 22 de maio- entidades defensoras do meio ambiente se reuniram com Nilo Marcelo de Almeida Camargo, Procurador Coordenador do 23 Ofício Núcleo do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal.

A  APISBio (A Articulação pela Preservação da Integridade dos Seres e da Biodiversidade) fez a entrega de um documento representando a abertura de um inquérito civil público e propondo uma ação civil pública e penal sobre a mortandade de 25 milhões de abelhas ocorrida no município de Mata/RS em Outubro de 2018. 

Renato Barcelos, da APISBio,  relatou o episódio da mortandade e o  o Simpósio Internacional Sobre Mortandade de Abelhas e Agrotóxicos, realizado em Março de 2019. Além disso, também sugeriu criar um polígono de exclusão de uso de agrotóxicos na região de Mata. Júlio Alt, também da APISBio, falou da preocupação dos apicultores e da população de Mata com a aplicação dos venenos na safra de soja deste ano.

O procurador Nilo de Almeida afirmou que o Ministério Público Federal tem acompanhado a situação.“Tem sido objeto nosso de preocupação. Vamos dar encaminhamentos a esta representação”, completou.

Outros efeitos nocivos dos agrotóxicos também foram levantados. Leonardo Melgarejo, vice presidente da Associação Brasileira de Agroecologia, falou da contaminação da água e criticou o padrão oficial que analisa cada agrotóxico individualmente e não leva em conta os efeitos de diversas moléculas combinadas. Em sua visão, é preciso pensar em limites conjuntos para os agrotóxicos.

Juliano de Sá- da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável- lembrou dos 169 agrotóxicos diferentes liberados só no governo Bolsonaro. “Precisamos mobilizar para uma política estudual pela redução do agrotóxico no Rio Grande do Sul”, concluiu.

Fica o questionamento de como seguir nas lutas pela biodiversidade e contra os agrotóxicos. Nos parece que, ao batalhar contra os agrotóxicos em espaços jurídicos, os movimentos podem conseguir conquistas importantes. Neste momento em que o presidente está totalmente alinhado ao agronegócio, vale batalhar dentro dos poderes judiciário e legislativo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *