Vaiada pelos movimentos sociais, Copelmi apresenta o projeto Mina Guaíba em Audiência Pública

Na noite desta quinta feira (27/06), a população lotou o ginásio da Escola David Riegel Neto, Em Eldorado do Sul para assistir a segunda Audiência Pública do Projeto Mina Guaíba.  O espaço conduzido pela FEPAM tinha como objetivo apresentar o Estudo de Impacto Ambiental do projeto da empresa Copelmi-que tenta obter a Licença Prévia para a maior mina de carvão a céu aberto do Brasil, nos municípios de Eldorado e Charqueadas.

No entanto, o que se viu na prática foi um espaço de muitas manifestações. De um lado, os movimentos sociais exibiam cartazes em vermelho e preto com a frase “Carvão Mata”, usavam máscaras de gás e fantasias fazendo referências ao potencial letal do carvão. De outro, defensores da empresa usavam camisetas brancas dizendo “Eu apoio”.

Cristiano Weber, gerente de sustentabilidade da Copelmi, era o principal alvo das paixões do público. Ao final de suas falas- em que prometia um “uso mais limpo do carvão mineral “-, recebia sempre muitas vaias de um lado e aplausos de outro.

Entre estas rodadas de vaias e aplausos, o gerente explicou as pretensões da empresa para os 166 milhões de toneladas de carvão que a Copelmi quer extrair: produção de gás, de energia termoelétrica (por meio da criação de um polo carboquímico) e de fertilizantes.

Após sua fala, Affonso Novello representante das empresas Tetratech e ABG, apresentou um resumo dos estudos de impacto realizado pelas duas empresas. Um dos pontos interessantes da apresetação- extremamente confusa e mal contextualizada- foi o levantamento de impactos negativos e positivos do empreendimento. Os impactos negativos eram tantos que nem se conseguia contá-los no curto espaço de tempo entre um slide e outro. Já os impactos positivos eram apenas três: geração de empregos, renda e tributos.

Depois de uma hora de fala da Copelmi e das empresas responsáveis pelo EIA, as pessoas presentes puderam falar ou fazer perguntas. Vale destacar que cada um que se inscrevia para falar tinha apenas três minutos, depois as empresas tinham mais três minutos de resposta.

Em sua maioria, as pessoas que se inscreviam para falar se manifestavam contra o projeto.  Sofia Cavedon, Deputada Estadual do PT/RS, falou sobre a elaboração do plano de Manejo do Parque Delta do Jacuí- vizinho do local em que a mineradora quer se instalar. Na sua opinião, a região apresenta diversas alternativas para geração de empregos e renda, como o turismo nas ilhas, a pesca artesanal, a agricultura e a agroecologia.

Claudio Acosta, liderança Guarani de Charqueadas, falou das 40 comunidades de sua etnia que serão afetados caso o empreendimento seja realizado. “Porque foram esquecidos os Guarani de Charqueadas?”. Cristiano Weber, se limitou a responder que a Copelmi tinha consultado a FUNAI.

Valcir de Oliveira, do MST falou em defesa dos assentamentos e da produção ecológica. “Não existem afetados indiretamente, somos todos afetados diretamente”, concluiu contrapondo a classificação das empresas que dividia os afetados pela mineradora em indiretos e diretos.

Outros assuntos levantados foram a necessidade de uma Audiência Pública em Porto Alegre, a possibilidade de contaminação dos rios Jacuí e Guaíba os impactos para os assentamentos da região metropolitana e para o Condomínio Guaíba City, os esforços de países desenvolvidos para removerem o carvão de sua matriz energética e a emissão de gases do efeito estufa do projeto.

Ficou evidente que a sociedade gaúcha quer debater este tema. Um exemplo gritante disso foram as cerca de 150 inscrições para falar durante a audiência. Também foi possível perceber que  não existe consenso quanto ao projeto e que a Copelmi é alvo de desconfiança e antipatia por parte de diversas pessoas e movimentos.

Mais do que nunca, se fizeram ecoar os gritos de “Audiência Pública em Porto Alegre” e “Não à Mina Guaíba”.

Texto: Bruno Pedrotti
Imagens: Tinkamó

 

 

 

 

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