Oficina no Quilombo dos Alpes: horta

No ano de 2018, o Coletivo Catarse foi convidado para filmar uma série de oficinas realizada no Quilombo dos Alpes. As atividades foram desenvolvidas pelo  Núcleo de Estudos Geografia e Ambiente da UFRGS (NEGA/UFRGS) em parceria com a Associação Quilombo dos Alpes D. Edwirges para atender as crianças e jovens da comunidade.

Registramos quatro oficinas: árvore genealógica, horta, mankala e territórios negros. Os vídeos resultantes deste acompanhamentos serão divulgados semanalmente nos canais do Coletivo Catarse e na página do Quilombo dos Alpes no Facebook.

O primeiro vídeo, oficina de horta, teve a participação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (SMAM) sob a orientação do geógrafo Carlos Henrique de Oliveira Aigner. O objetivo da oficina registrada foi contribuir para uma alimentação saudável na comunidade e resgatar os conhecimentos dos mais velhos sobre agricultura.

Sobre a Comunidade

O Quilombo dos Alpes é o maior quilombo urbano de Porto Alegre, com cerca de 58 hectares. Fica no morro da Glória, entre os bairros Cascata e Teresópolis.  Lá vivem cerca de oitenta famílias descendentes da vó Edwirges, uma escrava fugida que encontrou no morro dos Alpes um local seguro para viver e criar sua família.

Apesar de ter mais de um século, a comunidade só começou a se reconhecer como remanescente de Quilombo há 14 anos. Rosângela de Oliveira, conhecida como Janja, e sua filha Karina são lideranças centrais neste processo de busca por direitos e defesa do território.

Lá em cima, a impressão e de não estar em uma metrópole. A maioria das casas não tem grades ou cercas, as crianças sobem em árvores, as pessoas caminham pelos morros pelados ou pelos trechos de mata— nos quais vivem diversos animais, como preás e macacos pregos—, ouve-se pouco barulho de carros e é possível enxergar um vasto horizonte.

Com esta oficina, as diferentes organizações tiveram uma chance de aprender com a comunidade e contribuir para a preservação dos ambientes naturais do morro dos Alpes. É importante notar que este serviço ambiental já é realizado pelos moradores do local a pelo menos cem anos. Porém, o auxílio de entidades governamentais e a disponibilização de recursos e ferramentas de trabalho amplifica as ações dos quilombolas.

 

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