Resistência das comunidades do Rio Camaquã comemora três anos

No último final de semana foi realizada a comemoração de três anos da luta contra a mineração de Cobre, Chumbo e Zinco. A data remete ao lançamento do Manifesto das Palmas, em novembro de 2016, denunciando os riscos do projeto da empresa Votorantim Metais, hoje Nexa, que vem tentando se instalar na região das Guaritas – na divisa entre Bagé e Caçapava do Sul – nas margens do Rio Camaquã.

“Todo ano fazemos um ato para marcar, pois consideramos uma vitória: cada ano é uma vitória”, explicou Marcia Colares, da UPP Camaquã (União Pela Preservação do Rio Camaquã) e AGrUPa (Associação para Grandeza e União das Palmas).

Marcia contou que a preservação da região não é resultado de nenhum trabalho governamental ou de outras instituições, mas, sim, do cuidado dos próprios moradores. Assim, a luta contra a mineração busca garantir a preservação que já existe: “A gente sabe que, se instalar uma mineradora de chumbo, vai ser a morte dessa região. É uma região maravilhosa, preservada; os moradores zelam por isso”.

Essa preservação é resultado de uma maneira de viver e produzir baseada na pecuária rotativa nos pastos nativos da pampa. “Foi passada de pai para filho, essa forma de viver – que hoje é chamada de sustentável. Para nós, sempre foi normal”, destaca Marcia.

A desconfiança em empresas de mineração não é mera paranoia. Marcia Colares lembra de um episódio recente que ficou marcado na memória coletiva da região: “Em 1988, teve um vazamento de uma barragem nas minas do Camaquã, quando  a Companhia Brasileira do Cobre (CBC) explorava o cobre. O Camaquã sofreu um impacto violento, porque morreu muito peixe, praticamente todos os peixes que tinham no rio”.

Nos últimos anos, o rio vem se recuperando. Espécies de peixes como o Dourado, a Piava e o Pintado, que não eram avistadas há anos já estão se tornando comuns novamente.

Pensando em proteger o rio e o modo de vida que se construiu ao longo de gerações, os moradores têm se organizado para lutar contra a mineração.“Reafirmamos sempre a vontade de continuar lutando, chamando outras pessoas e cada vez aumentando mais. Tem sido assim todo ano, e cada ano aumenta mais, e cada dia aumenta mais”, concluiu Marcia.

O evento deste ano, realizado no distrito das Palmas, em Bagé, mesclou a luta socioambiental com intervenções artísticas e esportivas. Além de sarau, exibições de filmes, bailes, shows e apresentações de música e dança regional, o evento teve também atividades de escalada, realizadas nos paredões rochosos do local pela Associação Gaúcha de Montanhismo.

A união entre ambientalistas, pecuaristas, praticantes de esportes radicais, estudantes e professores universitários, além de mostrar a grande capacidade de mobilização em torno da causa, também renovou o fôlego dessa luta – um exemplo que pode servir para todas as outras mobilizações contra a mineração no estado.

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