“Devolvendo o gesto solidário que o povo chileno nos tem dado primeiramente: sua rebeldia e sua dignidade!”

Nessa sexta-feira, 17 de janeiro, várias pessoas manifestaram seu apoio ao povo que segue enfrentando com temeridade as forças da ordem e a sua solidariedade com as pessoas que foram sequestradas pelo Estado chileno. O ato começou às 18h, na frente do consulado chileno, no bairro Moinhos de Vento.

Veja o vídeo realizado pelo Coletivo Catarse:

Após mais de dois meses de luta social massiva, 29 falecidos (muitos sendo assassinados pelas forças da ordem), milhares de detidos e feridos, centenas de torturados, o povo está nas ruas para exigir e construir o impossível. Mesmo com aprovação de leis cada vez mais repressivas por parte do governo, mesmo com novas estratégias e técnicas de amedrontamento, as pessoas seguem se juntando nas ruas enfrentando à polícia, compartilhando panela e cantos de revolta, leite de magnésio e barricadas…

A soda cáustica na água dos carros lança-água, as detenções em carros civis sem placas e as balas de borrachas atiradas nos olhos dos manifestantes não calmam os ímpetos de um povo que, já faz um tempo, gritou “chega” – “Chega de nos roubar nossa aposentadoria, chega de nos roubar o nosso futuro, chega de nos roubar a terra e nossa saúde… Chega de nos enganar e de rir nas nossas caras!“.

A continuidade e intensificação da revolta, já conhecida como a “revolução dos 30 pesos”, muito ensina e muito inspira. Foi nesse espirito que os solidários presentes no ato transmitiram com várias falas incendiadas no som do megafone na frente do consulado do Chile, num dos bairros mais privilegiados da cidade:

“Hoje, na terra estuprada que os colonizadores chamaram Chile, a pop­ulação estourou, cansada de séculos de colonização e ditadura, encober­ta como democracia. A galera saiu pra rua, pulando catraca, quebran­do tudo, transformando ônibus em barricadas de fogo e a sua raiva em alegria na luta compartilhada, deixando de exigir dignidade para criá-la no ato mesmo de se juntar, ocupar as praças, conversar e gritar juntxs sobre as injustiças cotidianas, fazer panelada comunitária, roubando dos supermercados para compartilhar abundância entre desconhecidxs e so­bre tudo, no ato de defender essa nova dignidade com pedras e apoio mútuo, arriscando a vida e os olhos, pela possibilidade de habitar hoje o mundo que gostariam de viver amanhã.”

Uma faixa estendida na qual podia-se ler “Libertação imediata aos presos da revolta social no Chile. Hasta que la dignidad se haga costumbre” foi, além do símbolo de solidariedade dos participantes, a “promessa” de que aqui, também, poderá haver revolta. Foi lembrada também a crua repressão sofrida pelos manifestantes do Movimento Passe Livre em São Paulo na quinta-feira anterior ao ato.

Ainda, perturbando a cotidianidade e o “happy hour” dos frequentadores de um dos bairros mais high society de Porto Alegre, a caravana solidária saiu em marcha nas ruas do Moinhos de Vento entoando gritos simbólicos do estilo: “Morte à burguesia”; ou ainda “Fascistas, nazistas, não passarão!”; além dos clássicos pela liberdade dos presos “Libertad, Libertad, a los presos por luchar” e “No estamos todos, faltan los presos!”.

A caminhada encerrou na Avenida Independência, onde foi deixada a faixa solidária para quem souber olhar.

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piñera

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