Registros do Breque dos Apps em Porto Alegre.

O dia 1º de julho foi dia de paralisação nacional dos entregadores de aplicativos (UberEats, Ifood, Rappi, James, entre putros), um dos setores mais precarizados em tempos de pandemia.

Enquanto muita gente se mantem isolada em segurança dentro de casa, estes trabalhadores e trabalhadoras se expõem ao vírus, à chuva, à violência do trânsito para entregar comida quentinha.

Fazem isso com o mínimo de direitos trabalhistas. Se se acidentam ou pegam o vírus, não recebem benefícios. Usam suas bicicletas pŕoprias, sem receber dinheiro para manutenção. Sequer tem lugar para ir no banheiro. Se acontece algum erro por parte do restaurante ou do cliente, e o cliente avalia mal o entregador, ele é bloqueado e tem seu faturamento afetado. Pedalam quilômetros e quilômetros às vezes pela taxa mínima, que em alguns aplicativos é 3,50 reais. Você se imagina pedalando dezenas de quilômetros, com uma bicicleta precária, às vezes abixo de chuva, arriscando se contamianr e contarminar a sua família e ainda a acidente de trânsito para ganhar nem 5 reais? Consegue se colocar neste lugar. Sem falar da situação das mulheres, preteridas em diversas entregas, com a mochila apertando os seios, correndo riscos nas ruas.

Para completar, 71% das pessoas que trabalham entregando para aplicativos hoje se declara negro. Mais uma situação que afeta diretamente a vida desta parcela da população.

Muito se falou da luta antirrcista nos últimos tempos. Apoiar este trabalhadores, lutar contra a precarização do trabalho se apresenta como um caminho concreto (lutar pela saúde pública, pela valorização do SUS também).

Em Porto Alegre, foi ação direta! Saindo da Praça da Alfândega, centro da cidade, o cortejo seguiu até o Bairro Moinhos de Vento, onde trancou a entrega e, por instantes, o drive-trhu do Mc Donalds da 24 de outubro. O mesmo aconteceu no Mc Donalds da Avenida Silva Só, no Burguer King da Avenida Ipiranga e em restaurantes da Cidade Baixa. Comecçou pelas 10h30min, terminou por volta das 17h30min no Largo Zumbi dos Palmares.

Para quem é cliente e costuma usar estes apps, hoje não peça nada.

Vamos ver a repercussão dos atos em diversas cidades do país (RJ, São Paulo, Belo Horizonte, Recife) e a continuação da articulação destes trabalhadores.

Sejamos solidários, porque o próximo trabalho uberizado, explorado por uma multinacional que só lucra e dá muito pouco em troca para a sociedade local, pode ser o seu, o nosso.

#BrequeDosApps

#BrequeDosEntregadores

Porto Alegre, 1 de julho de 2020.

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Fotos e texto Alass Derivas

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