GreNal do COVID: a normalização do genocídio bolsonarista

Por Grêmio Antifascista.

No GreNal que vencemos na semana passada, realizado em Caxias do Sul, ocorreu algo que vem se tornando corriqueiro no país: vidas perdidas pela pandemia de coronavírus SARS-COVID2. Ao mesmo tempo, houve um clássico GreNal que a história futuramente colocará em seu devido lugar, qual seja, o da vergonha e irresponsabilidade de Federação Gaúcha de Futebol e direção de Grêmio e Internacional. Num país cuja figura central do executivo, o presidente Jair Bolsonaro, através do seu negacionismo e irresponsabilidade genocida condenam a população ao sacrifício (muitas vezes voluntário por seus seguidores fanatizados), a FGF, Grêmio e Inter emulam o espírito presidencial ao fazerem o jogo à revelia da montanha de cadáveres que se acumulam diariamente no Brasil, atual epicentro das contaminações segundo a OMS.

O estádio Centenário de Caxias do Sul, que esteve de portões fechados, possui capacidade de público de 22.132 pessoas. Olhemos para a arquibancada vazia do estádio durante o jogo e imaginemos cada espaço lotado por cadáveres. Façamos esse exercício macabro de imaginação por 4 vezes, pois já são mais de 80.000 pessoas mortas pelo vírus COVID-19 no Brasil. Quatro vezes a lotação do estádio Centenário, isso sem contarmos todos e todas que faleceram da doença e não foram sequer testados.

Houve muitos atores nesse GreNal da pandemia: o interesse econômico da grande mídia, as direções dos próprios clubes e a própria necessidade de “normalização” da vida que um jogo com essa dimensão passa para a população, interesse principal desde o começo da pandemia por parte do presidente genocida Jair Bolsonaro.

O presidente do Internacional chegou a falar que não aguenta mais ficar “refém” trancado em casa em entrevista à TV Pampa, agora te perguntamos: para ti, para o Portaluppi (que com razão reclamou no começo da pandemia de se exporem ao perigo do vírus jogando, mas agora vive sem máscara jogando futevôlei no Rio), para o Coudet e jogadores da dupla, faltará respiradores se eventualmente isto for preciso? Entretanto, será que haverá leitos e aparelhos para aqueles e aquelas que trabalharam na partida? Estes provavelmente não terão acesso a UTIs e respiradores uma vez que nosso sistema de saúde está próximo de seu esgotamento total.

Eduardo Galeano dizia que “não há nada menos vazio que um estádio vazio” e a frase do genial escritor uruguaio ganhou tintas macabras, pois esse GreNal do “charmoso covidão” não esteve vazio, esteve cheio do peso sufocante de mais de 80.000 vidas ceifadas pela irresponsabilidade, negacionismo e normalização da pandemia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: