Covidão 2020

Por Coluna Vermelha.

Chegamos praticamente ao quinto mês de quarentena. Ou ao menos, aquilo que deveria ser uma quarentena. Desde a chegada da COVID-19 em território brasileiro nos deparamos com as mais absurdas declarações e medidas por parte do governo federal, o que em um primeiro momento, jogou o protagonismo das ações minimamente sensatas para o colo dos governadores e prefeitos, regionalizando a gestão da crise. Mas aquilo que parecia ser uma gestão qualificada da crise, com palavras bonitas na mídia, decreto de fechamento do comércio, suspensão dos jogos de futebol, e etc, logo se mostrou apenas uma jogada simbólica.

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite brinca de pintar bandeiras conforme manda o empresariado do estado, não há nenhuma medida para garantir ao povo de exercer seu direito de quarentena e o mesmo é constantemente culpado pelas medidas de distanciamento falharem. Mas como podemos falar em “ficar em casa” e ao mesmo tempo colocar comida na mesa sem nenhum apoio dos governantes? Apenas mandar ficar em casa não basta. Isso serve para as classes mais abastadas que podem permanecer em casa, e dessa forma, transforma o que seria um direito em um privilégio. Quando olhamos para Porto Alegre, a situação é ainda mais trágica, uma vez que a região metropolitana é a mais populosa do estado, o que obviamente favorece a proliferação do vírus. Mas não é apenas o vírus o vetor da crise, o prefeito Marchezan segue a linha do governo do estado – o qual é do mesmo partido, PSDB – e não provém nenhuma alternativa ao povo porto-alegrense. A educação pública do município que vem sofrendo um desmanche sistemático desde a chegada de Marchezan à prefeitura, agora agoniza sem o mínimo de orientações vindas da Secretaria Municipal de Educação e, mais uma vez, quem garante o mínimo é o esforço das professoras e professores. A mesma situação ocorre na saúde municipal, com a tentativa de fechar postos de atendimento em plena pandemia.

Falar bonito em frente às câmeras e pedir para ficar em casa chega a ser um deboche com a população frente às atitudes do próprio governo. O governo estadual, por exemplo, cedeu às pressões da Federação Gaúcha de Futebol em parceria com a RBS para a volta do campeonato gaúcho. A prefeitura de Porto Alegre que num primeiro momento vetou o clássico na capital, duas semanas depois liberou jogos na cidade. O que mudou em duas semanas? Apenas para pior. Então porque proíbe numa semana e libera na outra?

Mais uma vez o empresariado manda e desmanda, assim como sempre foi em governos neoliberais. São governos para o dinheiro e não para o povo, prezam pelos lucros e não pelas vidas. Joga a responsabilidade da crise para cima da própria população enquanto dá arregos para os empresários. Pede para ficarmos em casa mas libera o comércio. O prefeito não sabe que a população de Porto Alegre concentra-se ocupada 87,7% no setor terciário, correspondendo ao comércio e serviços (PNAD Contínua Trimestral, IBGE-2018)?

Cremos que saiba sim, a internet da prefeitura deve estar em dia para acessar o site do IBGE. O que não está em dia é a garantia de direitos básicos para toda a população gaúcha. Leite e Marchezan, vocês foram diagnosticados como assintomáticos para governantes, são apenas fantoches das grandes empresas. Se o governo não garante ao povo seus direitos, o próprio povo através de organizações da sociedade civil, movimentos sociais, partidos, organizações culturais e afins, desenvolve a solidariedade como política de sobrevivência e assim, mais do que nunca, seguimos nós por nós, mas nunca sem esquecer o rosto e o nome dos inimigos do povo.

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