Muito mais que apenas uma casa de shows.

Signos Pub Rock, ou apenas “Signos”, ganhou seu lugar na história de Porto Alegre, no cenário musical underground, que, para muitos, nem existe, mas, para quem frequenta, pode-se dizer que é um universo à parte.

Acredito que o fim do ciclo do Signos Pub estar gerando inúmeras homenagens nas redes sociais não se deve apenas por ser um dos raros lugares em Porto Alegre que abria espaço para bandas do underground e bandas iniciantes, mas, sim, pela relação que foi construída entre bandas, público e o “power trio” que administrava o local – Clair, Laudenir e o fiel porteiro André. Eles não visavam lucrar em cima dos eventos, existia uma relação muito coletiva e sincera, Clair, a proprietária, sempre em conversas relatava que estava lá porque gostava do agito, o Signos não era sua fonte de renda principal e sim aquele passatempo para tirar a pressão e stress da semana caótica e corrida desse sistema que draga cada vez mais o indivíduo – e acabou infelizmente dragando o nosso Signos também.

O Signos abria espaço para todo tipo de público e bandas, sempre com um sorriso, um abraço e um aperto de mão, sempre davam um jeito em sua agenda e conseguiam atender a galera que queria produzir sua festa, eram verdadeiros guerreiros pela “cena”, estavam sempre abertos a propostas de eventos e, algumas vezes, liberavam 100% da portaria para cobrir custos de bandas de fora do estado e até mesmo do país – sim, no Signos Pub rolava shows nacionais e internacionais da cena underground.

(Abaixo alguns cartazes de shows de bandas internacionais e bandas importantes no cenário underground nacional)

O título que muitos sempre deram – e ficou mais forte agora -, “o CBGB Porto-Alegrense” se deve porque ele abrigou “a cena underground” e não apenas uma cena das diversas que existem no meio cultural. Sim, como foi com o Garagem Hermética nos anos 1990 e início dos 2000, e, anteriormente, o Bar Ocidente nos anos 1980 e 1990 – este que ainda sobrevive e resiste aos ataques da Prefeitura de Porto Alegre, mas atua agora com outros formatos de festas e propostas, já o Garagem Hermética teve seu encerramento em meados de 2010, se não me falha a memória, mas é sempre lembrado e citado no cenário.

Então, restou o Signos para abrigar uma gama de eventos diversos que iam do pop, reggae, punk rock/hardcore aos extremos heavy metal brutais. Foram mais de 10 anos de existência, resistência e persistência, pois, em diversas vezes, a prefeitura interditava o local por detalhes técnicos e “burrocráticos”, que, na verdade, sabemos que era para fechar mesmo as portas, pois o sistema e a high society não aturam o underground, e, nas últimas gestões até esta atual do prefeito Marchezan Jr., houve muita perseguição a bares e locais alternativos de contracultura no bairro Cidade Baixa. Diversos bares já foram fechados e diversos tramitam com processos para seguir existindo. Com o Signos não era diferente, pois, por diversas vezes, nos deparávamos com ele fechado ou com sua agenda de eventos cancelada por motivos de reforma e adequação. Mas o power trio era fiel, gastava uma grana em reformas para logo estar aberto novamente, nos mesmos moldes de sempre.

O último ataque, porém, foi tão pesado que conseguiram vetar shows de bandas plugadas, mas, como bons insistentes que eram, reestruturaram todo o bar e abriram espaço para shows acústicos, afinal no underground também tem “voz e violão”…

Então a Covid-19 chegou, o isolamento social se torna necessário, e, consequentemente, todo procedimento que já sabemos acontecendo, as contas batendo na porta, inclusive as da última reforma, que foi a mais radical, se tornaram insustentáveis. Somando-se que a Clair e o Laudenir, apesar de terem o espírito e mente jovem, integram o grupo de risco nesta pandemia, que, convenhamos, vai muito longe ainda.

Mas eu não quero terminar este texto com um fim definitivo. Gosto de pensar na possibilidade de que, quando tudo voltar ao novo normal, receberei a notícia de que o power trio do Signos Pub vai retornar. Mas, se isso não acontecer, fica aqui este registro e o registro na memória de diversas pessoas, bandas e produtoras que agitaram em milhares de noites no Signos Pub Rock.

Muito obrigado, Clair, Laudenir e André por nos proporcionarem noites históricas.

Logo abaixo, um compilado com diversas fotos de noites e tardes de domingo que rolaram entre 2013 a 2019 e um vídeo-homenagem editado pela galera do Arquivo Punk Rock do Sul. Sintam-se à vontade de deixar nos comentários alguma história ou apenas uma mensagem, nós agradecemos e, é claro, o Signos Pub também.

Slide com fotos de: Billy Valdez, Sheiná Botega, Broken Heartz Fotografia, e algumas retiradas da página do facebook do Signos Pub. Infelizmente algumas fotos maravilhosas se perderam, pois páginas de produtoras na qual foram postadas foram excluídas do facebook, no período de 2010 a 2013 e dos anos de 2016 e 2017.
Texto: Billy Valdez

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6 comentários em “Muito mais que apenas uma casa de shows.

  • 08/08/2020 em 13:39
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    Simplesmente ficará na memória de todos que passaram por lá seja produtor, público ou banda, as amizades que se criaram e fortaleceram-se nesses anos. Assim como cada show, seja com bastante público ou com público reduzido algumas vezes. Sempre vou lembrar também da alegria do Power Trio que estava sempre de prontidão pra receber todos. E deixo aqui um recado sincero: “Roda Funk é uma coisa”

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  • 08/08/2020 em 16:12
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    Fizemos muitos shows, muita fumaça, com muitas bandas e muitos amigos! Ficará na história.

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  • 08/08/2020 em 18:37
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    O signos sempre tratou a Estragonoff com respeito. Não é qualquer lugar que trata uma banda desconhecida assim.
    O bar pode ter acabado, mas seremos eternamente gratos a ele enquanto existirmos.
    A minha história está lá dentro. O que vivi lá carrego comigo. Então acabado o bar não está.

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    • 08/08/2020 em 21:36
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      Verdade Rafael! É como o rock, enquanto houver um rockeiro nesse mundão ele vai estar vivo.
      Abraço para os amigos da Estragonoff!!

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