Você já assistiu “Descobrindo Montiel”?

O começo do trabalho com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, em 2010, representou um grande desafio para a equipe do Coletivo Catarse responsável por ele. Existia um lugar físico caindo aos pedaços, muitas crianças atentas ao movimento que o Ventre Livre estava fazendo e sedentas por qualquer coisa que poderia surgir dali. Levou um tempo, mas ia se estabelecendo, ali no bairro Vila Jardim, um lugar bem especial para todos os envolvidos, tanto para o Coletivo Catarse, quanto para os moradores daquela comunidade e, também, trabalhadoras e trabalhadores do Posto de Saúde Divina Providência que se envolveram desde o princípio neste processo.
Numa dessas tardes de trabalho descobriu-se que um vizinho do Ponto era um artista incrível. Paulo Montiel entrou como uma explosão no projeto e somou de uma maneira que parece que sempre esteve presente, desde o início. Este documentário realizado em oficina no Ventre Livre, mostra o momento em que descobriu-se todo o acervo do artista que estava guardado em um antigo atelier, local onde trabalhava antes de sofrer um grave acidente de moto o qual o deixou muito debilitado.
Paulo Montiel faleceu em 2019. O Ponto de Cultura foi um ambiente que proporcionou ao artista um maior convívio social, inclusive com outros artistas, espaço para que pudesse recomeçar a trabalhar, além de oportunidades no seu tratamento que surgiram de uma articulação entre Ponto de Cultura e Saúde e Grupo Hospitalar Conceição, na época, gestor responsável pelo convêniamento de diversos Pontos de Cultura e Saúde que incluia o Ventre livre.

Conheça mais sobre o artista e o trabalho do Ponto de Cultura e Saúde ventre Livre:

Foi artista plástico, estudioso e pesquisador da cultura afro descendente e esteve intimamente ligado ao projeto do Ventre Livre desde 2011.

Em seu trabalho como artista plástico pintou inúmeras telas à óleo, desenhos e serigrafias retratando elementos dessa cultura. Montiel nasceu em 1958, no interior do estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Cruz do Sul, região de colonização alemã. Sua bisavó, Antônia Canabarro, foi trabalhadora escravizada e pertencia a família Canabarro. Ainda criança se muda com a família para Porto Alegre, no bairro Bom Jesus, vila periférica da cidade naquela época. Desde cedo se mostrou sensível às questões da espiritualidade e da religião afrodescendente. Frequentava festas de e terreiro de Batuque e Umbanda.

Durante sua trajetória a escolha pela representação de elementos da cultura afro descendente está intimamente ligada às relações familiares e comunitárias. Quando começa a se expressar artisticamente é nessa raiz que busca sua inspiração. Suas telas de orixás são conhecidas por muitos daqueles que vivem essa religiosidade no estado do Rio Grande do Sul.
Quando trabalhava na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aprofundou a pesquisa sobre a representação do corpo humano frequentando o morgue da faculdade de medicina. Confiante no potencial de sua arte, Montiel pede demissão da UFRGS e se dedica integralmente à pintura.

A pesquisa por novos elementos dessa cultura levou Montiel à outros países e estados, iniciando suas incursões no Rio de Janeiro e Bahia. De Salvador trouxe uma série de traços religiosos cultuados no estado do nordeste pouco conhecidos na região sul. Com seus quadros embaixo do braço foi para a Espanha e o Marrocos, divulgar sua obra e aprofundar pesquisas. Em 2009 sofreu um acidente, o que resultou em estado comático do artista durante trinta dias, teve comprometida sua mobilidade e memória, bem como seu jeito de fazer arte, seu traço, por um longo período. Em 2010, estabelece relação com o Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre, “vizinho” de sua residência, estabelecendo vínculo com os profissionais do lugar, onde passa a ter seu atelier e parte do acervo.

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