Necropolítica da bola

Por Grêmio Antifascista.

Comecemos assim hoje: “O Goiás Esporte Clube vem a público informar que, devido a quantidade de resultados positivos do Covid-19 nos exames apresentados pela CBF, está tentando junto a entidade o adiamento da partida deste domingo contra o São Paulo.” Nada é tão brasileiro quanto o futebol, e nada parece ser mais brasileiro atualmente que o “futebol do covidão”. O Brasileirão mal iniciou e já temos muitos casos de contágios e o clube esmeraldino, por exemplo, teve 10 de seus jogadores diagnosticados com coronavírus horas antes da partida contra o São Paulo chamou a atenção pela condução por parte da CBF de como a pandemia está sendo normalizada pelo futebol. O que se seguiu desde o episódio citado foi a mera burocratização do tema sensível que centralizou a discussão em “suspende ou não suspende a partida?”.

Porém, a discussão central, que foi propositalmente “esquecida” neste debate passa pelo seguinte questionamento que desnuda a desigualdade social e racial brasileira: quem pode morrer? Essa é a questão! Aos olhos do grande capital, jogadores e torcedores são no fundo – e aqui tomamos de empréstimo o conceito do filósofo italiano Giorgio Agamben – tidos como vidas nuas e, portanto, passíveis de serem “deixadas” morrer.

Não é por mera fatalidade que o Brasil chegou na marca de 100 mil mortes pelo COVID-19, temos por trás desse número assustador uma vontade política de genocidas que insistem em normalizar o excepcional. Esses atores políticos (encabeçado pelo Bolsonaro) estão decidindo quem vive, quem morre e como morrem. A política brasileira sempre foi a da morte, mas a pandemia foi a catalisadora que descortinou o óbvio.

O futebol é um microcosmos do que vem sendo praticado pelo governo e não há dúvidas que muitos profissionais do esporte, assim como torcedores, vão morrer se continuarmos a fechar os olhos para a gravidade da doença. A questão que fica é quem ganha com essa necropolítica da bola no Brasil: os torcedores e atletas ou o governo negacionista e genocida de Jair Bolsonaro?

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