Quem politizou o futebol?

Por Grêmio Antifascista:
Muitas vezes se acusam as torcidas antifascistas de estarem “politizando” o futebol, assumindo assim que o esporte é um espaço originariamente livre de política. Ingenuidade ou má-fé dos acusadores? O fato é que muitos conselheiros e direções dos clubes do Brasil parecem ter recebido seus postos de modo hereditário se atentarmos aos seus sobrenomes. Ao longo da história do futebol, muitos utilizaram as equipes e seus torcedores como trampolins políticos para se elegerem, assim como o uso que ditaduras ao redor do mundo fizeram do esporte (a Copa do Mundo de 1970 é simbólica para pensarmos essa relação a nível nacional durante a Ditadura Militar instaurada em 1964 no Brasil).
Fica evidente que não foram as torcidas antifascistas que politizaram o futebol: ele já estava há muito tempo tomado pela política – quase sempre por má política, diga-se de passagem. O que nós estamos fazendo é mostrar onde estão essas relações de poder que oprimem, subjugam e reproduzem a lógica excludente do capitalismo no Sul global dentro do futebol. Os poderes tendem a se esconder e a se tornarem “segredos”, e nós, torcedores e torcedoras antifas, queremos retirar esses véus de invisibilidade para podermos repensar e mudar nossos modos de agir e construir nossas relações não só com o Grêmio e com o futebol, mas com toda sociedade.
Peguemos um exemplo: durante um jogo do Brasileirão preste atenção no campo. Provavelmente haverá muitos atletas negros, mas e nas casamatas? Quantos técnicos são negros? Por consequência do racismo estrutural de nossa sociedade, naturalizamos nossos olhares e não estranhamos que num país cuja maioria da população não é branca, os postos de comando no futebol sejam majoritariamente tomados por homens brancos.
Apontarmos para esse “segredo” de como se estrutura e se naturaliza o racismo no futebol é estarmos politizando? Pois bem, se ser político é tomar parte na “pólis” (palavra de origem grega que significava “cidade”), nós somos todos e todas políticos – não só os torcedores antifas, mas também aqueles que não se consideram fazendo política mas que não questionam os usos do futebol pelos poderes e reproduzem atitudes machistas, racistas e LGBTfóbicas.
Nós, gremistas antifascistas, estamos aqui para disputar nos discursos, nos estádios e na sociedade como um todo, o que já está politizado e tomado por relações de poder que consideramos injustas e opressoras. Queremos que o futebol, assim como a sociedade, seja inclusivo e abrace a multiplicidade de diferenças que compõe cada um de nós.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: