Um dia histórico

Por Coluna Vermelha

Entendemos que a força para transformar as coisas da classe trabalhadora vem da sua auto-organização, seja em seu local de trabalho, seja seu local de atuação.

O espaço da arquibancada de um estádio é um espaço que historicamente a classe trabalhadora se organiza (não só trabalhadores, as bancadas são pluriclassistas). As Torcidas Organizadas (T.O) e as Barras (como é o caso da Guarda Popular do Inter), são espaços de organização. Não é por acaso que na História Colorada, quem começou com o que se pode chamar de embrião de torcidas organizadas, lá na década de 40, foi um sindicalista e carnavalesco chamado Vicente Rao. Queremos com estas afirmações, dizer que a luta política é construída também nas arquibancadas, mesmo como pessoas dizendo que futebol e política não se misturam, ou ainda que futebol é o ópio do povo.

Nesse sentido vamos falar sobre a organização da manifestação das mulheres do Sport Club Internacional, no dia 2 de outubro de 2020. O protesto ocorreu no intuito de cobrar os jogadores para que honrem nossa camisa, nossa história, depois de sucessivos resultados ruins. O que é legítimo. As mulheres já organizadas em torcidas, iniciaram a rede e em instantes, inúmeras representantes e torcedoras independentes estavam unidas. Quem tinha contato na mídia? (que serviu na intenção mais de proteção contra os abusos da polícia e seguranças do Clube), quem tinha um megafone? Quem faria as faixas? Arrumando uma coisa aqui e outra ali….numa ação histórica, nunca vista no mundo futebolístico, as mulheres de um clube grande como o Inter, se unem para cobrar os jogadores. Se unem para transformar algo que não está bom, almejando melhoras. Assim, além da união de diversas torcidas e torcedoras, que permanecerá como legado, foi uma experiência de auto organização de mulheres trabalhadoras, que traz ao ato um significado ainda maior.

Aprender a se organizar para lutar, onde isso acontece? Pode e deveria acontecer na escola; no trabalho aprendemos a obedecer; em casa, geralmente é onde inicia essa educação subserviente. No estádio nos organizamos para a festa, o que exige muita disciplina, para as viagens, para conduzir centenas de pessoas, e para nos proteger das violências da polícia, do machismo, do cotidiano. A organização é uma ferramenta revolucionária, que no dia 2 de outubro fez história com a mulherada que faz o inter, e que constrói a sociedade, cada uma no seu espaço. O futebol para as torcidas é organização, disciplina, procedência e ideologia, tudo o que uma Revolução Social precisa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: