¡VIVA EL PUEBLO CHILENO!

Por Grêmio Antifascista:

“Eu penso que eles estavam me fazendo pagar pela oposição. Pagar por isso com o que era mais querido por mim – a minha mãe. Só porque eu disse não à ditadura. Eu disse não à ditadura em todos os níveis: não ao ditador, não à tortura. Então eles me fizeram pagar por isso com o que fizeram com minha mãe.”

O relato acima é de Carlos Caszely, ídolo do Colo-Colo anos 70 e apoiador de Allende. Em 1978 o craque da seleção chilena se negou a cumprimentar o ditador Augusto Pinochet (muito elogiado pelo nosso presidente fascista Jair Bolsonaro, diga-se de passagem. Aliás, a ligação de Bolsonaro com o regime de Pinochet é mais profunda pois Paulo Guedes, ministro ultraliberal da economia, foi parte da equipe econômica neoliberal pinochetista conhecida como “Chicago Boys” no provavelmente mais famoso caso de amor entre neoliberalismo e ditadura). Caszely havia se transferido para o Levante da Espanha logo após o golpe militar em 11 de setembro de 1973, assim sendo, Pinochet mandou torturar sua mãe como “desagravo” após sua recusa em cumprimentá-lo publicamente em 78.

Muito embora haja enorme interesse dos poderes em fazer acreditar que o futebol é uma bolha à parte da política, no último dia 25 e 26 de outubro de 2020, torcedores da La U, Colo-Colo, Santiago Wanderes, Palestino, Universidad Católica, Cobreloa e demais equipes do Chile estiveram nas ruas para comemorar o descarte na lixeira da História da constituição pinochetista. A menção aqui aos torcedores não é gratuita uma vez que este plebiscito que decidiu por uma nova constituição no Chile é proveniente dos embates que ocorrem desde outubro de 2019 contra o aumento no preço da passagem do metrô no atual governo de direita de Sebastián Piñera – que propôs então o plebiscito como um modo de acalmar os ânimos após a violentíssima repressão policial ao seu mando por parte da polícia e exército. Quem tomou a frente dos protestos desde o início em outubro de 2019 foram torcedores em maioria identificados como antifascistas, muitas vezes pertencentes a núcleos organizados como o Los de Abajo Antifascista da La U e Garra Blanca Antifascista do Colo-Colo para ficarmos apenas nos dois maiores grupos.

A velha ladainha de marxistas que pouco entenderam de Marx – e sobretudo pouco entendem de povo – de que o futebol é o ópio do povo foi mais uma vez falseada pelos torcedores e torcedoras chilenos que derrubaram mais esta herança maldita do ditador Augusto Pinochet.
Nós do Movimento Grêmio Antifascista celebramos com o povo chileno esta vitória contra o obscurantismo ditatorial e fascista que vem assolando a América Latina e fazemos coro às manifestações chilenas para que nós um dia possamos aqui dizer também em relação às nossas heranças ditatoriais que nos desgraçam (incluindo aí nosso atual presidente Bolsonaro) que “nosso legado será apagar o seu legado” como repetiram milhares de vozes nesta semana no Chile.

¡VIVA EL PUEBLO CHILENO!

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