Futebol feminino, daqui pra frente, sempre!!

Por Coluna Vermelha:

Se futebol é coletivo, torcemos juntas e choramos juntas.
Para as Gurias Coloradas, a equipe feminina do Sport Club Internacional, a participação no Brasileirão Feminino 2020 encerrou-se no último domingo (01). Após a derrota fora de casa no dia 28 de outubro, por 3×2 no Estádio da Ressaca, jogo de ida das quartas de final, as Gurias Coloradas viram a vaga nas semifinais do campeonato nacional escapar pelos dedos no empate por 1×1 com o Avaí/Kindermann em pleno Estádio Beira-Rio.
Apesar de todas as adversidades da temporada atípica de 2020 por conta da pandemia do coronavírus, o Internacional fez história com a melhor campanha da sua equipe feminina no Campeonato Brasileiro. Ao final da primeira fase, depois de 15 rodadas de disputa por pontos corridos, as Gurias carimbaram o 3º lugar, somando 33 pontos em 10 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, totalizando 39 gols pró e apenas 14 gols contra, com um aproveitamento histórico de 73,3%. Não bastasse a quebra do próprio recorde pessoal da equipe na competição, a atacante colorada Byanca Brasil entrou para a história do campeonato como a maior artilheira de todos os tempos ao marcar 8 gols com a camisa do Inter no torneio, totalizando 48 gols na sua carreira, na disputa do Brasileiro Feminino. Além disso, o Internacional também igualou a maior goleada do Brasileirão 2020 ao vencer o Audax por 9×0 na 14ª rodada e entrou para o top 5 de maiores goleadas da história do campeonato.
Enquanto torcida, comemoramos cada uma dessas vitórias. Nas primeiras rodadas, antes da parada da pandemia, comemoramos nas arquibancadas junto com elas. Futebol não se faz sozinha. São milhares de torcedores e torcedoras que também pulsam amor junto pelo mesmo time. Gritamos com os passes da Mari, com as jogadas da Fabi e com os desarmes da Sorriso. Pulamos e torcemos com cada chute da Shasha! Depois de meses de interrupção, vimos o futebol das Gurias Coloradas voltar com toda a força e potência no auge de uma pandemia, mesmo quando só uma pequena porcentagem dos recursos do Clube, em crise econômica, ia para o futebol feminino. De casa, vibramos com a Mayara, fechando o gol diante da atual campeã Ferroviária, e com a Rafa, marcando contra o nosso maior rival e trazendo a vitória do primeiro GreNal da história do Brasileirão Série A1. Ao longo da temporada, acompanhamos com orgulho as atletas oriundas da base conquistando espaço no time e mostrando todo o poder da melhor base do Brasil. Mesmo acompanhando de longe, vibramos e torcemos com as Gurias Coloradas como se cada uma daquelas onze em campo fossem uma de nós. Porém, se futebol é coletivo, a frustração da derrota em campo nos derruba também.
Na fase de pontos corridos, sentimos o gosto amargo da derrota duas vezes, ambas dentro de casa, contra indiscutivelmente os dois melhores times da primeira fase do campeonato, Corinthians e Santos, os dois que terminaram na nossa frente na tabela. A frustração pela derrota é natural, mas não pudemos evitar de sentir uma certa decepção: se uma equipe tem a pretensão de vencer o campeonato e de ser a melhor, ela precisa vencer as melhores. Aceitar uma derrota nunca é opção, mas se o desenvolvimento é um processo não-linear, os tropeços podem ser um aprendizado. Ao entrar na fase de mata-matas, precisávamos olhar para os pontos desperdiçados ao longo do campeonato para corrigir os erros: um passe mais preciso, uma recomposição mais compactada, uma finalização mais calibrada. Sabíamos que o jogo contra o Avaí/Kindermann não seria fácil – as duas equipes têm um longo histórico de rivalidade em jogos truncados e difíceis por campeonatos oficiais e torneios extra oficiais, mas o que se viu nas quatro linhas foi um Internacional irreconhecível. Sem colocar o peso numa peça A ou B, nos 180 minutos de quartas de final, a torcida colorada assistiu a uma insistência técnica num time que já havia dado sinais de que não teria como render o seu melhor daquela maneira. E futebol se faz no coletivo. Não bastam os talentos individuais, nem a gana por uma conquista inédita, nem o apoio da torcida, muito menos a vantagem de um jogo em casa (uma vez que a casa oficial das Gurias Coloradas é agora o SESC Campestre, e o gramado do Beira-Rio seria novidade para a maioria das atletas em campo). Para ganhar, faltou coragem das lideranças no comando da equipe.
Sabemos que as Gurias Coloradas podiam mais. A torcida conhece o histórico recente e sabe que o plantel do Internacional é de uma qualidade ímpar, podendo ter ido muito mais adiante no campeonato, mas pelo segundo ano seguido, batemos na trave. Com todo o respeito à pessoa e ao profissional que é o Bari, mas um time que almeja alçar voos maiores e se projetar no cenário nacional, competindo com as potências paulistas, não pode mais ser comandado por um treinador que já esgotou suas tentativas de extrair o melhor do elenco. Agradecemos o trabalho feito até agora e ao título estadual conquistado em 2019, mas não há explicações suficientes para uma renovação por mais dois anos com o técnico Maurício Salgado, principalmente em ano eleitoral e no meio do processo de transição do futebol feminino do Internacional, que migra do Departamento de Relacionamento Social para o Departamento de Futebol, em pleno ano eleitoral, quando não se sabe ao menos os dirigentes que estarão à frente do clube. Mais ainda, não se justifica uma renovação com o técnico, anunciada ainda durante a coletiva pós-jogo depois da eliminação do campeonato, quando não há prestação de contas para a torcida sobre as renovações do próprio plantel. Norberto Guimarães, vice-presidente de Relacionamento Social, anuncia que as renovações estão sendo encaminhadas, mas não há transparência alguma sobre quais atletas e em quais termos, quando é sabido do assédio de outros clubes.
Nos últimos dias, vimos diversas demonstrações de que a atual gestão do Internacional não parece se preocupar muito com o presente e com o futuro próximo das Gurias Coloradas. São inegáveis as melhorias de estrutura desde o reinício das atividades do futebol feminino no Internacional, mas quando a torcida apresenta alguma proposta, somos respondidos com críticas por fazer cobranças por melhorias, como se devêssemos aceitar que se faça o mínimo. Percebemos que a atual gestão não está atenta ao cotidiano das Gurias, visto que as escolhas técnicas e táticas do treinador com contrato renovado não estão de acordo com o potencial do elenco. Nota-se que a gestão está optando pelas soluções mais fáceis, não pelo melhor planejamento. O Clube do Povo é do seu povo, e queremos honrar as cores alvirrubras com uma temporada melhor em 2021 do que fizemos em 2020. Queremos transparência e queremos melhorias no tratamento da pasta de futebol feminino por parte da Direção do Clube. E a torcida tem interesse, tem propostas e tem cobranças. A torcida pega junto. Futebol é coletivo. VAMO GURIAS!!!!!!

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