Passagem – Do espiritual da arte, caminhando nos rastros das raízes

Uma mulher, vestida de um branco, profundo e pesado sobe as escadas segurando uma vela acesa. A passada é densa, a cada passo observa-se que o elo entre os vestidos entrelaçados é o peso das gerações e gerações de todas as mulheres submetidas ao patriarcado.

Ela chora, todas choram o lamento de passagem. Há um caminho para percorrer. O percurso é violento, exige força, perspicácia, muita atenção. Elas cantam de mãos dadas à medida que sobem os degraus, a luz das velas traz a retomada de consciência, dos pensamentos, das energias, no sentido de transmutação de todas as dores das mulheres. E gritos correm do mais profundo eu. Querendo anunciar o que as vozes do silêncio estão a falar. Um mergulho profundo em nós mesmas, em nossa história coletiva, em nossas memórias de mulheres.

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