CARTA DE REPÚDIO AO ASSASSINATO DE JOÃO ALBERTO NO SUPERMERCADO CARREFOUR

A Áfricanamente Ponto de Cultura e Escola de Capoeira Angola vem manifestar seu REPÚDIO
pelo estúpido assassinato de João Alberto Silveira de Freitas, homem negro, espancado em
Porto Alegre até a morte, por seguranças do supermercado Carrefour no dia 19 de novembro
(véspera do dia da consciência negra).

A nossa cidade que neste ano elegeu a primeira bancada negra na história da Câmara dos
Vereadores, não poderá ficar calada e considerar normal que mais uma pessoa morra,
simplesmente por ser negra.

Sim, por ser negra, pois não temos noticias de pessoas brancas sendo assassinadas por
seguranças, seja do sistema privado ou público, em virtude de motivos fúteis como suspeitas
ou ofensas.

Sim, se João fosse branco, no máximo ele seria conduzido para fora do estabelecimento e
chamada a brigada militar. Mas no caso dele, por ser negro, a sua vida não tem a mesma
consideração de valor e semelhante aos tempos da escravidão, algumas pessoas brancas se
sentem confortáveis para fazer a justiça pelas suas próprias mãos, porque sabem que não vai
dar nada. Afinal é só um negro.

Importante salientar que entre os criminosos um deles era policial militar, que estava
fazendo uns bicos à paisana, algo bastante comum nas empresas de segurança, e que
mostrou os resultados de um treinamento que sempre enxerga o negro como algo a ser
eliminado.

O Carrefour, assim como outros estabelecimentos que se omitem sobre esta política de
morte aplicada as pessoas negras, se torna reflexo e cúmplice dos atos que aconteceram em
suas dependências e assim, deve responder judicialmente para apoiar a família da vitima e
desenvolver ações de qualificação aos seus colaboradores afrodescendentes e de combate a
desigualdade racial e social.

Para evitar que mais casos como este continuem acontecendo, convidamos geral para se
somar conosco e manifestar seu repúdio a mais este ato que simboliza o racismo histórico
brasileiro e dizer não a este sistema que naturaliza a morte de pessoas negras, LGBTQ+,
mulheres, indígenas e pobres marginalizados em geral.
Estas pessoas somos nós… Todas nós.

VIDAS NEGRAS IMPORTAM, HOJE E SEMPRE!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: