Ou Bolsonaro ou Vidas Negras Importam

Por Grêmio Antifascista.

O Dia da Consciência Negra foi criado no intuito de refletir sobre a trajetória do povo negro brasileiro até os dias atuais valorizando a história e trazendo à tona também (mas não tão somente) as opressões e subjugações a que foram sistematicamente submetidos ao longo dos séculos. Jamais podemos esquecer que o Brasil foi construído em cima de corpos escravizados e submetidos a todas as barbáries possíveis. Essa trajetória deixou tantas sequelas que até hoje os negros sentem o peso da história de opressão aos quais seus antepassados foram submetidos pelos brancos.
O dia 20 de novembro de 2020 mal dava sinais de sua aparição e já tínhamos um homem preto assassinado no estacionamento de uma multinacional na noite anterior: João Alberto Silveira Freitas (conhecido por muitos como Beto) foi assassinado brutalmente por seguranças terceirizados da empresa Vector contratada pelo Carrefour em Porto Alegre. Os autores do homicídio, os dois seguranças, identificados como Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, foram autuados por homicídio qualificado.
No Dia da Consciência Negra movimentos negros e pessoas identificadas com as causas antirracista e antifascista foram para a entrada do estacionamento do Carrefour do Passo D’Areia onde Beto foi espancado até a morte. O protesto tomou grandes proporções em Porto Alegre e gerou onda de manifestações em outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Beto era torcedor do São José e frequentador da barra Os Farrapos, morava próximo à Arena do Grêmio, era preto, morador da favela e umbandista, ou seja, a vítima “perfeita” para o racismo estrutural que corrói nossa sociedade. E não importa quantas vezes Bolsonaro e Mourão neguem o racismo no Brasil, os dados mostram de modo inquestionável a opressão do povo preto.
No último jogo do Grêmio contra o Corinthians, dia 22 de novembro, o nosso técnico Renato Portaluppi vestiu camiseta na qual se lia “Vidas Negras Importam”. Esta louvável atitude surpreendeu a muitos de nós gremistas uma vez que o Renato já explicitou o seu apoio ao (des)governo neofascista e negacionista do racismo no Brasil de Jair Bolsonaro.
A louvável atitude de utilizar a camiseta do Vidas Negras Importam, por Portaluppi, coloca um problema incontornável: ou se apoia Bolsonaro ou as vidas negras realmente importam uma vez que o presidente e seu vice negam sistematicamente que haja racismo no Brasil. Não podemos esquecer também que Bolsonaro foi responsável por comentários extremamente depreciativos com os negros em famosa fala na Hebraica do Rio de Janeiro em 2017 onde declarou: “Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.
Então, Renato, tens que te decidir: ou Bolsonaro ou Vidas Negras Importam. Se tu não sabes, este slogan “Vidas Negras Importam” vem sendo proclamada globalmente com maior intensidade especialmente após o assassinato do negro estadunidense George Floyd. Embora tenha sido importante para dar um novo fôlego as pautas do antirracismo no país, utilizar a frase numa camiseta não basta. Ainda temos muito pela frente no combate ao racismo e o primeiro, Renato, é entenderes a profundidade do dilema que se coloca no teu e nos horizontes de todos nós brasileiros: ou Bolsonaro ou Vidas Negras Importam.

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