Acontece o primeiro puxirão Agroflorestal em Erval Grande (RS)

O Mutirão Grupo de Trabalhadores da Terra organizou neste sábado 6 de dezembro o seu primeiro Puxirão Agroflorestal. No norte do estado, na região conhecida como Alto Uruguai, pequenos agricultores, indígenas, professores, estudantes e comunicadores sociais se reuniram para trocar experiências e saberes relacionados com o cuidado da terra.

Após um início de manhã regada ao chimarrão com erva carijó, os participantes pegaram na enxada e mudas e sementes foram plantadas. Ademir, integrante do grupo e morador do local relatou que esses primeiros canteiros têm o objetivo de criar uma “parede verde” para evitar um excesso de contaminação de agrotóxicos que, infelizmente, os vizinhos planejam utilizar nas suas plantações de soja e milho transgênicos.

Nesta região, os pequenos agricultores tendem a serem absorvidos pelo agronegócio, muitos estão vendendo suas terras para proprietários maiores ao não conseguir se manter “competitivos” no mercado. Como alternativa ao agronegócio e ao capitalismo devastador o grupo de Trabalhadores da Terra de Erval Grande propõe a autogestão, a cooperação, a agrofloresta e o apoio mutuo entre os povos.

De tarde, foi realizada uma conversa abordando o potencial de jornadas como essas para o fortalecimento das lutas sociais, no campo e na cidade. Ressaltou-se também a importância da recuperação de saberes-fazeres ancestrais no processo de construção de futuros libertadores.

Esta pequena ilha de resistência procura se expandir ao tecer redes entre os coletivos e povos da região sul determinados a lutar pela terra e contra o capital e começando para isso, pela prática cotidiana do cuidado e da relação com a terra. Inspirados em iniciativas como a Téia dos Povos, uma experiência baiana de articulação entre povos, comunidades, territórios e organizações políticas em luta pela autonomia, libertação e a retomada dos saberes ancestrais ligados à terra, os integrantes do Mutirão Grupo de Trabalhadores da Terra buscam fomentar no estado do RS “iniciativas autônomas e agroecológicas em defesa da terra e do território de populações do campo por meio de uma aliança combativa entre os povos e regiões”.

A primeira jornada encerrou-se ao redor do fogo de chão e ao som de músicas gaúchas libertárias.

Seguiremos acompanhando…

Fotos: Ademir e Texto: Tinkamó

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