Arquibancadas vazias…corações aflitos!

Por Grêmio Antifascista:

Quase 10 meses de isolamento social e ainda que muitos neguem a existência da pandemia da COVID-19, os números de mortos e infectados só aumentam – trazendo consigo sofrimento a muitas famílias que perderam seus entes queridos para uma doença que não é minimamente combatida pelo governo federal. É necessário relembrarmos algo fundamental neste momento: nunca tivemos leitos para dar conta de toda a população brasileira, pois, principalmente após o golpe de 2016, a saúde sofreu paulatinamente perdas e congelamentos de recursos públicos. Com a pandemia, a situação de escassez de leitos “apenas” se agravou.

Isso é espantoso quando percebemos que mais da metade da população brasileira é usuária dos serviços públicos de saúde, não tendo outra opção para tratamento. Com os contínuos cortes nessa área, mesmo com o surto de COVID-19, desnuda-se a postura do “deixar morrer” do governo brasileiro que recai sobretudo nos corpos historicamente vulnerabilizados no país: negro e pobres. Aqueles que não possuem nem habitação, nem saneamento básico, deslocados para as periferias das cidades são os mais atingidos pela pandemia e pela necropolítica bolsonarista. Essas pessoas são testemunhas vivas pela luta do direito de existir e de viver no espaço urbano.

É importante não desprezarmos ou normalizarmos a letalidade que esse vírus ainda pode causar a despeito das inúmeras declarações oficiais do governo afirmando o contrário e negando a gravidade da situação. Nosso camisa 10 e craque Jean Pyerre, por exemplo, passou por um grande sufoco ao ter que jogar algumas partidas tendo o seu pai internado com um quadro grave de COVID. Eduardo Corrêa (pai do JP), felizmente, é uma das poucas histórias de reversão de quadro grave nesta pandemia. Todavia, o jogador Juninho Quixadá do Ceará não teve a mesma sorte e perdeu o seu pai, Pedro Julião, para o COVID (para ficarmos em outro exemplo dentro do futebol masculino).

E o pesar fica ainda maior quando lembramos que muitos dos nossos parentes e amigos já não poderão ir ver nosso amado Grêmio, vítimas de um vírus, mas sobretudo da política negacionista e genocida de Jair Bolsonaro. As arquibancadas continuam vazias, não mais que os corações das mais de 176.000 famílias que perderam alguém que amam nesta pandemia.

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