“Mais uma de nós tombou”, ato por justiça para Jane

Na no final da tarde de quarta feira (9/12/2020), manifestantes se reuniram na Vila Cruzeiro, Zona Sul de Porto Alegre. O ato foi uma resposta a morte de Jane Beatriz Silva Nunes – mulher negra, promotora legal popular e liderança comunitária – depois de operação da Brigada Militar na tarde do dia anterior.

A vereadora Bruna Rodrigues, que também é liderança  comunitária da Cruzeiro, denunciou a ação da polícia: “Esse é um recado para a gente. Porto Alegre elegeu a primeira bancada negra da sua história. Em contrapartida, a Brigada se autoriza a vir a matar uma de nós”. E concluiu: “Quando entra com esse processo de truculência, quando invade a nossa casa, quando quebra os nosso pertences que são construídos com muita luta, nos matam”.

Márcia Soares, advogada e diretora executiva da ONG Themis – da qual Jane fazia parte – reforçou o papel da polícia na morte: “Jane foi abordada violentamente pela polícia, sua casa foi invadida, numa ocupação irregular, porque não havia mandato. Nesse processo truculento e violento, como a polícia costuma fazer nas periferias, Jane morreu”.

A advogada relacionou o fato com o momento político atual: “Nós trabalhamos há trinta anos e nunca perdemos uma promotora legal popular desta forma. Não é por acaso que ela morreu agora, ela morreu agora porque a polícia está autorizada a matar nesse governo”. Márcia contrapôs a tentativa de se construir uma narrativa que ausente a Brigada Militar de sua responsabilidade sobre o caso. “Nós estivemos na casa dela, estamos fazendo investigação. conversamos com as testemunhas. Efetivamente, está comprovado por testemunhas que a polícia entrou sem mandato, com arma no peito dela, empurrou, ela caiu e ali ficou”.

Bruna Rodrigues, vereadora e liderança comunitária da Vila Cruzeiro, destacou a necessidade de seguir resistindo contra o genocídio: “Infelizmente nós estamos lutando pelo direito de existir, porque ainda estamos falando de vagas nas creches, de escola de turno integral, de saúde – em plena pandemia. A gente sabe que esse é um projeto para nos matar!”. Por fim, enfatizou a urgência de que a polícia e o Estado respondam pela morte de mais uma pessoa negra “O governador do Estado precisa responder à morte da Jane, essa morte tá na conta da farda. Essa morte precisa estar na conta do governo do Estado”.

 

Imagens e entrevistas: Marcelo Cougo.
Reportagens: Bruno Pedrotti.

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