O futebol como refúgio

Por Grêmio Antifacista:

Um esporte que possui um grande poder de aproximar culturas, sem dúvida, é o futebol, seja pelo seu alcance popular, seja pelos afetos que ele suscita dentro e fora dos gramados. O futebol tem o poder de aproximar as pessoas. No Brasil, ele foi introduzido através de influências migratórias. Em 1895, Charles Miller (filho de escoceses) conheceu o esporte quando estudou na Inglaterra e o trouxe para o país. Num primeiro momento, o futebol teve um forte engajamento de famílias ricas cariocas nas agremiações e, paralelamente a isso, ele também foi se popularizando entre as classes brasileiras mais baixas.

Muitos jogadores foram e são descobertos em partidas informais, talentos que muitas vezes estão “escondidos” em regiões periféricas, em campinhos nas favelas e subúrbios. Esses jogadores, em sua maioria negros e pobres, por vezes possuem somente essa alternativa para saírem da condição precária na qual vivem. O futebol serve então a eles como uma grande ferramenta social – senão a única em inúmeros casos tristemente. Não só para os nascidos no Brasil, mas também para os refugiados, o futebol ajuda na integração deles na sociedade. Por aqui, nós temos o exemplo dos Pérolas Negras (surgiu num primeiro momento do trabalho feito por brasileiros no Haiti, com o patrocínio da ONU) que constitui um projeto focado no futebol para refugiados e jovens que moram nas periferias brasileiras.

A Arena do Grêmio foi palco em 2017 da “Copa dos Refugiados”, que reuniu atletas do Haiti, Senegal e Colômbia. Além de chamar a atenção para a existência destes imigrantes, a Copa ajudou a colocar em pauta as dificuldades que muitos encontram ao chegar no país. A dificuldade de inseri-los no mercado de trabalho ainda é muito grande, relegando muitos deles a subempregos, ou seja, a ocupações sem direitos e garantias trabalhistas. Sem renda digna, muitos imigrantes são obrigados a saírem dos centros urbanos (como muitos brasileiros natos) e constituírem residências em locais periféricos em condições muitas vezes de extrema pobreza.

A Ilha do Pavão, localizada entre Porto Alegre e Guaíba, é um desses lugares, ali mora o Ganael, um rapaz haitiano de 15 anos que assinou um contrato amador com o Grêmio. Ele, como muitos outros refugiados, espera uma oportunidade de ser visto não só no mundo da bola, mas também no mundo. Muitos haitianos e outros imigrantes não terão a mesma oportunidade de Ganael (que pode ser o primeiro haitiano a jogar pelo Grêmio) mas podemos propor o debate a partir desse feliz acontecimento que é a possibilidade de termos no nosso Grêmio um jogador haitiano. Respeitar o “outro” que vem de fora é também respeitar a história o próprio futebol brasileiro – em especial do Grêmio, clube fundado (justamente) por imigrantes.

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