A bolsonarização de Renato

Por Grêmio Antifascista:
No último dia 28 de janeiro de 2021, após mais um fraco desempenho da equipe do Grêmio derrotada minutos antes em nossa casa pelo Flamengo, Renato Portaluppi respondeu às perguntas dos jornalistas do seguinte modo:

“Quando a gente ouve algumas pessoas da imprensa falando besteira, e é bom que eu não tenho medo de vocês da imprensa e não tenho medo de nenhum de vocês. Vou começar a dar o nome aqui na próxima entrevista, se continuar falando besteira durante a semana, vou deixar um de vocês, ou dois ou três, mais famosos, mas eu vou dar o nome. Depois vocês se acertam com a torcida do Grêmio. (…) É só continuar falando besteira lá que eu tenho autorização do meu presidente e aí vocês vão ver lá nas redes sociais”.

Não é novidade para ninguém o apreço que o Renato tem pelo presidente neofascista do Brasil Jair Bolsonaro, muitas vezes se valendo do clube e da instituição Grêmio para angariar popularidade ao presidente. Entretanto, nesta entrevista tivemos um Renato que parece ter completado sua “bolsonarização” ao se valer na entrevista do método de intimidação aos profissionais de imprensa, pois assim como seu admirado Bolsonaro, o treinador do Grêmio (já conhecido por seu diversionismo nas respostas quando derrotado e por ser pouco afeito a receber críticas) ameaçou usar sua influência como figura pública para lançar seus admiradores ao ataque sobre alguns jornalistas.

A tática de mobilização e ataque sob o suposto “complô” para prejudicar Renato é a emulação completa do modo de operar do bolsonarismo, que herda do fascismo a violência e a ameaça como armas contra as críticas em um processo onde a crítica é personalizada na pessoa do crítico, esse automaticamente passa a ser reconhecido então como “inimigo”.
Nós do Movimento Grêmio Antifascista já trouxemos anteriormente crítica ao uso por parte do Renato na conquista do Gauchão de 2020 a camiseta do “Vidas Negras Importam” considerando seu endosso à política genocida da população (e sobretudo da população negra) de Jair Bolsonaro. Também recordamos que no início do isolamento social por conta da pandemia, Renato foi visto jogando futevôlei na beira da praia. Todos esses exemplos servem para traçarmos o fio de bolsonarização que atinge não só do Renato, mas nossa sociedade amplamente, que culminam com a incapacidade de lidar com a liberdade de expressão e com o fundamental papel que a crítica exerce numa democracia.
Quando os ideais fascistas se disseminam numa sociedade não raro vemos esse tipo de postura daquilo que antes fora latente e que agora é dito em alto e bom som. Mesmo tendo consciência de todo o trabalho e esforço do Portaluppi enquanto técnico da equipe do Grêmio, não podemos deixar passar desapercebido que essa postura não deva ser cultivada em nosso clube.

Um clube do tamanho do Grêmio não pode ser palco de incoerências de um técnico cada vez mais “bolsonarizado”. A nossa história deve ser um constante processo que nos leva ainda para mais longe de ideias fascistas, justamente para que possamos, com orgulho, entonar “com o Grêmio, onde o Grêmio estiver” do hino escrito pelo sambista negro Lupcínio Rodrigues. A grandeza de Renato Portaluppi como jogador e como treinador permanecerão intactas em nossos corações, já o mesmo não pode ser dito do apreço que temos pela pessoa que Renato se tornou.
Nosso muito obrigado por tudo que Renato já fez pelo Grêmio no futebol, fora dele, restam apenas nossa tristeza e rejeição crítica à pessoa que ele se tornou.

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