Taquarembó vivo

Do topo das coxilhas do segundo distrito de Lavras do Sul, ecoam ao vento as vozes daqueles que lutam contra a megamineração. Aqui as pessoas se confundem com as paisagens dos campos nativos, ricos em espécies e água pura. Esse ecossistema singular é uma das cabeceiras da bacia do Rio Santa Maria e também uma das nascentes da cultura celebrada em todo o estado do Rio Grande do Sul.

Os guardiões e as guardiãs das nascentes, dos jardins nativos e da cultura campeira se posicionam contra o Projeto Fosfato Três Estradas, para mineração de fosfato e calcário. Em oposição ao modelo colonialista de venda de minérios, os moradores da região demonstram o modo de vida da pecuária familiar, na qual a criação de diferentes animais sobre o campo nativo contribui para a conservação do bioma pampa e gera trabalho e renda.

O filme faz parte do projeto Querência da Água Boa, que busca valorizar a sociobiodiversidade dos campos nativos da pampa por meio do audiovisual. A obra também contou com apoio da Witness Brasil, do Repórter Popular e do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul.

3 comentários em “Taquarembó vivo

  • 13/02/2021 em 08:12
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    Bom dia uma luta inana contra os interesses econômicos dos oligopólios. Lutei contra a instalação das barragens do taquarembó e Jaguari,entrei com denúncia crime em Dom Pedrito é o processo foi transferido para lavras para impedirem de acompanhamento. O que ocorreu tudo que falei aconteceu dinheiro desviado e inconsistência nos projetos e o grupelho instalado no comitê de bacia compactuaram com fedelho Vieira e Eliseu quadrilha para que os recursos fossem mal aplicados em uma área protegida e sem viabilidade para o empreendimento,caso até hoje sem punição peloministerio público. E agora é a vez da mineradora anotar o eia rima.

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  • 14/02/2021 em 10:00
    Permalink

    Ao assistir o documentário brotaram em mim alguns versos…

    Vivendo junto de ti
    Sempre busco te entender
    E ainda não sei se entendo…

    Gosto da lida do campo
    Pois nela está quem sou
    E esse barro me formou
    Desde os que antes vieram
    Até os rumos pra onde vou!

    Pampa, eu te carrego em mim
    Porque as minhas raízes
    Estão em teu ventre e aqui,
    O campo é meu elemento
    E eu sei e sinto profundo
    Que eu sou um pedaço de ti

    Desde as coxilhas que se estendem
    E que me ensinaram muito
    Aos cerros com seus silêncios
    Tão iguais aos que eu carrego
    Desde as memórias das taperas
    Que cravam fundo na gente
    Aos ventos frios dos invernos
    Contraponteando os mormaços
    Dos verões de lida grande.
    Pastos, banhados e sangas
    Corredores, ranchos antigos
    Tudo isso está em mim
    Com aquela alma de açude
    Rigidez de taipa de pedra
    E plenitude de água calma
    Prata que reflete a vida
    Que a minha gente fez aqui…

    Uma vida em simbiose
    Com tudo o que aqui se encerra
    Na mais crioula harmonia
    E respeito a essa terra…

    Gerações foram passando
    E o campo sempre renasce
    Como senhor do seu tempo.

    E a natureza nos mostra
    – Das secas às chuvaradas –
    – Tendo mais ou tendo menos –
    Que entrega tudo o que tem.
    E quem entende esse legado
    No somatório de ciclos
    Com sabedoria, paciência
    E amor ao chão vive bem.

    Assim o Pampa é eterno
    Sendo abrigo e abrigado
    Pela gente da querência
    Que aprendeu tudo na lida
    Peleando na própria terra
    E respeitando a natural vocação
    Que esses campos carregam
    E nos chegam por um sopro de atavismo
    Respeitando as outras vidas
    Que habitam aqui também.

    E como é lindo de ver
    Cavalhada campo afora
    Um lote de ovelhas pastando
    Gado de cria no campo
    Em meio a tantas outras vidas…
    Capim caninha e barba de bode
    Cada pedra, cada planta
    No destino natural
    Os cerros e banhadais
    Sangas cortando coxilhas
    E a liberdade do pampa
    Na mais genuína estampa
    Que tempo adentro galopa
    Assim desde os ancestrais!

    Mas chegam vozes estranhas
    Ecoando nessas plagas
    As que vieram outrora
    Vendendo ilusões…
    Em plantações de eucalipto
    Que mudaram não só a paisagem
    Mas mataram muitas vidas
    De planta, bicho e gente
    E a essência do campeiro
    Forjada nessas paragens.

    A mesma voz chega agora
    Sempre usando a palavra progresso
    Em um discurso monetário
    Um progresso ilusório
    Que ignora e ameaça
    A história que está viva
    E foi escrita até aqui
    Na mesma paisagem pampeana
    Que nos orgulha e sustenta.

    Não preciso garimpar
    Para encontrar a riqueza
    Sei que piso em uma riqueza
    Que não é feita de cifras
    Mas profunda em significados
    E que talvez esses homens
    Que falam em mineração
    Não consigam entender…
    Mas o que tenho e sou aqui
    É pra guardar, não vender.

    Não há dinheiro que compre
    A essência de um povo…
    Por isso eu não aceito
    Que transfigurem a tua imagem
    Pois nesses campos do Pampa
    O homem é a própria paisagem.

    A paisagem é o próprio homem
    E o homem a própria paisagem
    Pois se veste, se alimenta
    Nessa simbiose campeira
    Que permeia a própria alma.

    E em cada mate que cevo
    Está a fibra da minha gente
    Falando que não passou.
    É aquilo que não tem preço
    Genuína transcendência
    – História, recuerdos, cultura –
    – Natureza, vidas, essência –
    – Sentir, razão e querência –
    Que hoje está ameaçada.

    E há quem não escute a tua voz
    Pedindo que o deixem ser
    Apenas tudo o que é
    Pampa!

    Vivendo junto de ti
    Sempre busco te entender
    E ainda não sei se entendo…

    Gentil Félix Da Silva Neto
    12 de fevereiro de 2021

    Resposta

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