De denunciante dos antifascistas à denunciado: o caso Ruy Irigaray

Por Grêmio Antifascista

O Deputado Estadual Ruy Irigaray do PSL foi denunciado por duas assessoras, de cometer patrimonialismo, ou seja, segundo a denúncia ele se apropriou indevidamente de recursos públicos para finalidades particulares como reforma na casa da sogra e serviços domésticos custeados com recursos públicos.

Esta denúncia foi trazida a público no último domingo dia 14 de fevereiro de 2021 no programa Fantástico da Rede Globo no qual vídeos e outras provas o enquadrariam em crime previsto na lei de improbidade administrativa/ enriquecimento ilícito.

Mas quem é o Ruy Irigaray e o que ele tem a ver conosco, antifascistas?

Ruy, bolsonarista de primeira hora, foi o segundo deputado mais votado no estado do Rio Grande do Sul pelo PSL (sigla à época encabeçada por Jair Bolsonaro) com o discurso de pôr fim à corrupção e apoio ao porte de armas (ele é conhecido por ser lobbysta da pauta há algum tempo). Ruy Irigaray foi também responsável pela elaboração de “dossiê antifascista” no qual expôs inúmeros companheiros e companheiras de luta seguindo – ao melhor modo “copia e cola” – o discurso delirante da nova extrema-direita estadunidense trumpista (alt-right) que defendem que os antifascistas são terroristas domésticos. Ruy enviou no ano passado o dossiê ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, que acabou encaminhando às mãos do Presidente Fascista Bolsonaro. Esse documento foi redigido com o claro intuito de criminalizar movimentos legítimos como os antifascistas, os categorizando como organização criminosa patrocinada pelo bilionário judeu húngaro-estadunidense George Soros seguindo à risca as teorias da conspiração da extrema-direita trumpista.

A postura do Deputado visava criminalizar movimentos sociais, demonstrando o desprezo fascista às práticas democráticas que levaram ele a exercer o cargo na estrutura legislativa. Evidenciando a característica antissistema que seduz os fascistas, pois necessitam corroer as estruturas internamente para então esvaziar o seu real significado, Ruy assumiu indiretamente a pecha tão pouco rechaçada pelos bolsonaristas de fascistas, uma vez que elegeu os antifascistas como seus principiais inimigos. Dito de outro modo, a lógica aqui é simples: só há um tipo humano que se sente ameaçado por antifascistas, a saber, os próprios fascistas. Ao criminalizar e perseguir os antifascistas, Ruy Irigaray assume seu lado.

Assim como a família Bolsonaro e seus apoiadores que vivem no paradoxo de defenderem a moralidade e bons costumes enquanto estão nadando num mar de ilegalidades, rachadinhas, laranjas, relações criminosas com milícias e toda sorte de contravenções, Ruy Irigaray responderá processo de apuração das denúncias. Mesmo suspeitosos das possíveis conduções institucionais ao processo movido contra Ruy – uma vez que sabemos como as instituições historicamente no Brasil têm servido aos poderosos – seguiremos atentos ao caso e na esperança de sua condenação.

Que a lixeira da história comece a receber os bolsonaristas um por um, começando pelo nosso querido Ruy.

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