Ditadura nunca mais!

Por Grêmio Antifascista:

30 de março de 2021: o general da reserva Walter Souza Braga Netto, recém tornado Ministro da Defesa do Brasil, emitiu seu primeiro ato à frente da pasta, uma ordem do dia alusiva ao dia 31 de março de 1964. O teor de sua nota é falso e desonesto histórica e intelectualmente ao não denominar o Golpe Militar pelo nome e buscar fazer parecer compreensível e até feliz os atos na referida data que instaurou o processo de instalação do regime militar no Brasil. Em certa altura da ordem se lê: “As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, este trecho segue as teses revisionistas impulsionadas pelo presidente neofascista e genocida Bolsonaro que intentam fazer acreditar que o regime sangrento e assassino instaurado por seus colegas militares em 1964 foi o processo que desembocou gentilmente na democracia 20 anos depois no Brasil. Mentiroso e mal caráter são adjetivos que não dão a imensidão do crime de falsificação histórica que Braga Netto promove seguindo as ordens do seu chefe, o presidente Bolsonaro.
Essa nota é mais um desdobramento da ação que Jair Bolsonaro ganhou recentemente na justiça reivindicando o direito de comemorar um dos momentos mais sombrios da história brasileira: a Ditadura Militar. O chefe do executivo do estado brasileiro lutou pelo direito de celebrar legitimamente um golpe de estado dado pelos seus pares militares em 1964 e que ainda se faz presente em dolorosas memórias nos familiares das pessoas desaparecidas, na pele de muitos que carregam em seus corpos as marcas das torturas, as lembranças das prisões e a memória do exílio imposto aos oponentes políticos da ditadura que nunca foi devidamente encarada no país com a ridícula anistia irrestrita aos assassinos de farda (o importante passo da Comissão da Verdade instaurado no governo do PT causou extremo frenesi entre militares e dá conta do quanto esta ferida ainda está aberta). Todos essas dores e sofrimentos causados pelo regime militar que citamos acima dão conta do quanto ainda sangra essa chaga aberta em nossa história.
Relembrar a história é revisitar o passado, é analisar o que foi feito, o que poderia talvez ter sido feito e o que jamais deveria ter acontecido. Talvez seja mais fácil para muitas pessoas hoje analisar o que ocorreu há 50 anos atrás e trazer respostas que antes estavam encobertas ou pouco visíveis à época, mas é impossível negar o caráter autoritário e facínora do regime imposto pelos militares a partir do dia 31 de março de 1964.
Não podemos mudar o passado, mas podemos aprender com ele… aprender a lutar com ele e a partir dele. Comemorar o Golpe Militar é pisar na verdade histórica, tripudiar da dor das vítimas do regime, ir contra o princípio básico da democracia que o direito à vida. É também ir contra a Constituição de 1988, carta essa que foi criada para salvaguardar o povo de que regimes autoritários como a Ditadura Militar não ocorram mais.
Estamos vivendo um momento muito delicado no país, e a tentativa de falsear a verdade da Ditadura Militar é um crime contra nossa história. Não é novidade que o fascismo em todas suas aparições ao longo da História, de Mussolini à Bolsonaro, tenta criar narrativas mentirosas para enganar e capturar a população, mas é nosso dever reafirmar a verdade sobre o regime genocida e corrupto que foi a Ditadura Militar brasileira.
Na data de hoje, 31 de março de 2021, que ecoe com mais força do que antes: DITADURA NUNCA MAIS!
MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!

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