O povo terá essa sorte?

Por Grêmio Antifascista:

Estamos nos aproximando da metade do ano de 2021 e ainda continuamos enfrentando os mais altos índices de óbitos no mundo somando mais de 4 mil vítimas diariamente, o que faz com que o Brasil seja o maior responsável pelo número de contaminações e de mortes no continente latino-americano.

Este cenário confirma que a política do governo genocida de Bolsonaro frente à pandemia está sendo extremamente competente em seu gerenciamento da morte e promoção do vírus.
Conforme as recomendações da OMS, o isolamento social, o uso de equipamentos de proteção e a vacinação são as ações mais eficazes contra o contágio e morte, porém essas medidas restritivas necessitariam de uma ação governamental que fornecesse ao trabalhador meios como renda emergencial para garantir a sua sobrevivência até ser seguro voltar às atividades pós-vacinação.
Abramos um parêntese e voltemos nossos olhos para o futebol: no início de março do presente ano Renato Portaluppi foi contra uma possível nova suspensão do futebol respondendo ao desabafo do treinador Lisca sobre o perigo e irresponsabilidade em manterem os jogos normalmente, à época Renato alegou que “(…) o futebol é o local mais seguro. Estamos fazendo um favor para o povo, porque, quando jogamos, é um motivo para o torcedor ficar em casa. Mas não pode parar tudo no brasil, daqui a pouco a pessoa não sai de casa, mas está morrendo de fome. É difícil essa situação, alguns não vão concordar, mas é a minha opinião”.
Por mais irônico que possa parecer, Portaluppi contraiu a doença 1 mês após essa declaração. Mais uma vez Renato estava errado – o que infelizmente é comum quando o assunto é política e enfrentamento à pandemia já que segue a cartilha negacionista e delirante do bolsonarismo. Pensemos então em suas próprias palavras há um mês: se o futebol é o lugar mais seguro nesta pandemia e ele próprio foi infectado, qual o tamanho do perigo para os trabalhadores que por falta de auxílio emergencial têm que se expor diariamente ao contágio usando transporte público lotado e tendo que trabalhar (em inúmeros casos) sem condições sanitárias mínimas?
Portaluppi, assim como todos jogadores e treinadores dos grandes clubes brasileiros, possuem acesso à testagem e leitos de UTIs se eventualmente necessitarem, já o povo terá essa sorte? Há mais de um mês com hospitais operando acima dos 100% de suas capacidades de atendimento e sofrendo pressões pela abertura irrestrita do comércio e escolas pelo prefeito da capital Sebastião Melo (MDB) e governador do estado Eduardo Leite (PSDB), a resposta é que muito provavelmente não haverá leito para a população que não possui os privilégios do treinador gremista.
Estamos lidando com o pior momento da crise sanitária decorrente da pandemia da COVID-19, sem vagas em hospitais, com a letalidade do vírus no Brasil sendo a maior da América Latina, com muitos de nós estamos perdendo parentes, amigos, nossas próprias vidas… já são mais de 350 mil mortes confirmadas pela doença até o momento no país do genocídio orquestrado pelo teu adorado presidente Bolsonaro, Renato, e aí te perguntamos uma vez mais: o que tu dizias mesmo sobre o futebol ser um local seguro?
Desejamos pronta recuperação ao nosso treinador, e mais que isso, desejamos que de algum modo alguma fagulha de consciência política e social desperte em ti, Renato.

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