Nota do Coletivo Catarse sobre o Prêmio Trajetórias Culturais RS

Salve Dona Sirley e toda a cultura popular!

Que vivemos em um dos estados mais racistas do Brasil sabemos há tempos. Também sabemos que há muita desigualdade nos acesso àquilo que é minimamente necessário para uma vida digna. Isso se estende de forma muito evidente no campo das artes e da cultura. Falamos da cultura aquela que sai nos cadernos e suplementos da mídia empresarial.

Aquela que se arvora a detentora dos saberes e fazeres, que dita os padrões estéticos e ideológicos da arte produzida em nosso lugar. Sabemos também que nas ruas, nas vilas, nas filas de emprego, na vida, o aparelho estatal está sempre pronto a dar guarida à essa ideologia. Os amigos e amigas de classe se reconhecem e se protegem criando narrativas e arcabouços jurídicos sempre prontos a se legitimarem nos seus lugares de privilégio. Estamos assistindo isso acontecer nesse momento, aqui no RS, de forma muito clara. Clara mesmo! Quando um edital é construído para dar vez às pessoas que fazem cultura nas suas comunidades, pessoas negras, índias, mestiças, de terreiro, ciganas, LGBTs, e essa proposta é transparente e aceita, como foi o Prêmio Trajetórias Dona Sirley Amaro, edital vinculado à Lei Aldir Blanc, de caráter emergencial e que visa mitigar os danos causados pela pandemia de Covid19 para toda gente que trabalha e milita na área da cultura e, a partir do seu resultado, que beneficiou prioritariamente essa gente invisibilizada, onde o recurso também deve chegar, vemos todo um movimento de artistas e agentes culturais se revoltando e mudando os resultados dos avaliadores, mudando uma das peças centrais do edital, a questão multifacitária da maioria dos agentes culturais de matriz popular, só nos resta cerrar fileiras com quem mais uma vez se vê atingido nos seus direitos. Vimos muitas pessoas ditas progressistas não suportando ter seu espaço de privilégio discutido uma vez na vida! Gente que não sabe quem foi Dona Sirley Amaro…Como quase sempre o aparelho do Estado se coloca a seu serviço. São colegas em muitos pontos, principalmente na sua classe social. Pois é disso que se trata. A velha luta de classes agora escancarada entre os artistas do RS. Disso que escrevemos no início do texto nós sabemos há tempos. Mas é importante também que se saiba que estamos ao lado do legado de Dona Sirley, estamos ao lado do Mestre Batista, ao lado das Mestras e Mestres Griôs desse estado, das populações indígenas, da gente LGBT, estamos juntos e somos muitos e nunca calamos a voz, nunca deixamos de lutar e, agora mais do nunca, estaremos juntos.

3 comentários em “Nota do Coletivo Catarse sobre o Prêmio Trajetórias Culturais RS

  • 16/04/2021 em 18:39
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    Opa Gustavo e Cougo,

    Tudo bem ai? Espero que sim…
    Gostaria de saber referente as imagens do PercPoa… se ainda temos elas disponíveis e se podemos ter acesso. Para quissá usa-las em algo?

    Grato
    Att.

    Zé do Pandeiro

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    • 16/04/2021 em 20:14
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      Ah..acho que não foi com a produtora de vcs e sim apenas o Valentim né. Desculpe! Vou falar com ele! Obrigado!

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  • 16/04/2021 em 19:06
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    Concordo plenamente com essa nota. Estamos cansados desse tipo de separatismo cultural no RS.

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