O combate ao carvão na Região Metropolitana de Porto Alegre

Desde 2019 a sociedade gaúcha vem sem mobilizando intensamente contra a investida do capital mineral no estado do Rio Grande do Sul. Entre os 4 megaprojetos em fase de licenciamento, a Mina Guaíba tem ocupado um local de destaque no debate público da região metropolitana, sendo rechaçado pela maioria da população. A partir da criação do Comitê de Combate à Megamineração, mais de cem entidades gaúchas vem fomentando a luta contra a megamineração como um todo e contra a Mina Guaíba.

O projeto da empresa Copelmi visa construir a maior mina de carvão do Brasil entre Eldorado do Sul e Charqueadas. Os cinco mil hectares que a empresa cobiça estão localizados a cerca de 15 km de Porto Alegre, próximo a APA Delta do Jacuí e a duas aldeias mbya guarani. No local existe também um condomínio de sítios e um assentamento de reforma agrária com produção agroecológica de hortaliças e que compõe a rede responsável pela segunda maior produção de arroz orgânico da América Latina.

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O processo de dois anos de luta e mobilização gerou resultados significativos. Além de impedir a instalação do empreendimento – que está suspenso judicialmente por não ter feito consulta prévia às comunidades indígenas – também foram construído um acumulo enorme de conhecimentos e saberes sobre as ameaças do carvão. A partir do reflexão crítica feita por diferentes pesquisadores e professores a partir dos estudos de impacto ambiental apresentados pela empresa mineradora, o Comitê de Combate à Megamineração organizou o Painel de Especialistas.

No ano de 2020, adaptando-se ao cenário da pandemia, o debate seguiu de maneira remota. Semanalmente, o Comitê organizou as “Segundas pela Vida” série de lives pensando o tema da mineração a partir de diversas áreas, da medicina até a economia passando por mudanças climáticas, direitos humanos e povos indígenas e impactos socioambientais.

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Tendo como base as participações do Segundas pela Vida, foi editado o filme “O Combate ao carvão na região Metropolitana de Porto Alegre”. Além das lives, o longa metragem conta também com imagens da série “Territórios em Risco”, gravada pelo Coletivo Catarse em parceria com o Repórter Popular no Assentamento Apolônio de Carvalho e nas aldeias Guajayvi e Pekuruty. Soma-se a isso também imagens de outras organizações que compõe o Comitê de Combate à Megamineração, como MST, MAM, MAB, Greenpeace e imagens retiradas da internet de países periféricos que aplicam o modelo de megamineração de carvão, como Moçambique, India e China.

Com falas de quase 40 pessoas, o longa constrói uma base sólida para se questionar o modelo de megamineração, sobretudo de carvão. Além de questionar especificamente a Mina Guaíba e algumas das lacunas e inconsistências no projeto, traça um panorama global dos riscos na mineração de carvão e apresenta imagens e depoimentos da realidade de locais em que a exploração carbonífera está presente.

Registrando a luta e mobilização contra o projeto, a obra também intenciona oferecer mais uma ferramenta para dar continuidade ao debate, incentivando a população a seguir atenta a possíveis novas investidas da empresa. Além disso, apresenta-se também como um material para divulgar os riscos da mineração de carvão, já que outros projetos para extrair carvão estão vindo à tona – como por exemplo em São Sepé.

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