“Tudo Bandido” – por Grêmio Antifascista

 Texto: Grêmio Antifascista

Foto: Tinkamó

Tudo bandido”. Essa foi a declaração oficial do governo pronunciada pelo vice-presidente do Brasil Hamilton Mourão após a chacina do Jacarezinho no Rio de Janeiro, a segunda mais cruel da história do Estado.

Ao total, foram 28 mortes realizadas pela política civil, destes assassinados, apenas 6 eram investigados e 13 não tinham qualquer relação com a investigação. O número total de mortes pode ser ainda maior, já que 11 corpos ainda não foram devidamente identificados. Entretanto, a polícia insiste em alegar que todos possuíam registros criminais com base em informações próprias (que não foram divulgadas).

Estamos diante de mais um caso de genocídio da população muito bem articulado e colocado em prática, focado no extermínio sobretudo de cidadãos pretos e pobres. O que ocorreu em Jacarezinho foi genocídio encabeçado pelo Governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), pelo delegado, Felipe Curi e cuja ponta da rede de causas se encontra no presidente da República, suas conexões com as milícias e seus “valores” vomitados continuamente em seus discursos Jair Messias Bolsonaro. O STF determinou que enquanto estivéssemos enfrentando a pandemia estaria proibida esse tipo de ação salvo em “hipóteses absolutamente excepcionais”, e desde que devidamente justificadas ao Ministério Público do Rio, mas o MP foi avisado da operação às 9h do dia do ocorrido, três horas depois de seu início. Tal ato pode acarretar em crime de responsabilidade para o Governador do Estado se ainda existissem propriamente Estado de Direito e instituições no Brasil bolsonarista…

Em declaração extremamente preconceituosa o delegado tratou de considerar os mortos como criminosos na coletiva de imprensa da Polícia Civil, alegando que não haveria nenhum suspeito e que todos eram criminosos, homicidas e traficantes. Assim, julgou o delegado Felipe Curi que os assassinados mereceram execução sumária.

Deixaremos uma homenagem a alguns dos mortos na chacina do Jacarezinho, colocando a aqui seus nomes para que não sejam esquecidos. São eles: Carlos Ivan Avelino da Costa Junior, 32 anos; Cleiton da Silva de Freitas Lima, 27 anos; Francisco Fabio Dias Araújo Chaves, 25 anos; Jhonatan Araújo da Silva, 18 anos; John Jefferson Mendes Rufino da Silva, 30 anos; Jonas do Carmo, 31 anos; Isaac Pinheiro de Oliveira, 22 anos; Márcio Manoel da Silva, 41 anos; Marlon Santana de Araújo, 23 anos; Maurício Ferreira da Silva, 27 anos; Natan Oliveira de Almeida, 21 anos; Rai Barreto de Araujo, 19 anos; Richard Gabriel da Silva Ferreira, 23 anos; Rômulo Oliveira Lucio, 20 anos; Toni da Conceição, 30 anos; Wagner Luis de Magalhães Fagundes, 38 anos.

Nesta semana entramos na reta final do Campeonato Gaúcho no qual nosso Grêmio enfrenta o histórico rival Internacional em dois confrontos diretos que decidem com quem ficará o troféu, mas como falar em futebol no meio do genocídio do COVID-19 promovido por Bolsonaro e após mais uma chacina promovida contra a população pobre – e sobretudo preta – no Rio de Janeiro?

Que um dia nossa maior preocupação numa semana de GreNal volte a ser sobretudo o maior clássico do Brasil e não se conseguiremos sobreviver mais um mês vivos neste país.

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