Caminhos de memória e luta!

Por Coluna Vermelha:


Foto de Eduardo Teixeira.

Para chegar ao Beira Rio existem vários caminhos. Muitos desses caminhos são feitos a pé por nossa torcida. Vir de trem e de busão que param no Centro de Porto Alegre e depois ir a pé pra economizar ou porque quer, sozinho(a), de bonde, com a sua T.O ou integrante da barra do inter. Um destes caminhos é pela Orla do Guaíba. Podemos afirmar que se trata de um caminho onde podemos ter reflexões sobre nossa memória histórica.

Para que isso se evidencie e seja valorizado como experiência de conhecimento e cidadania, no dia 16 de maio, um grupo de pessoas da sociedade civil, entre os quais estava a Coluna Vermelha, se juntou para reivindicar que um dos monumentos em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos da ditadura fosse restaurado e que a prefeitura se comprometa em construir em frente dele uma placa explicando seu significado. Um espaço que serve para memória não pode ser esquecido. Foi inaugurado em 1995 no parque chamado Marinha do Brasil, instituição que contribuiu com a tortura e assassinato de centenas de militantes sociais, um parque que atravessa a vida de milhares de colorados e coloradas. Ou seja, trata-se também de nosso território. Ir para o Beira Rio pela Orla nos coloca em contato com a possibilidade de passar por uma obra de Oscar Niemayer em homenagem a Luiz Carlos Prestes, ao Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos da Ditadura e a outro monumento no Marinha, que é em homenagem a Manuel Raymundo Soares, assassinado pela ditadura e atirado no Guaíba com as mãos amarradas em um episódio que ficou conhecido como “o caso das mãos amarradas”. Manuel foi torturado e assassinado pelo Estado brasileiro, assim como aqueles e aquelas que estão sendo homenageados no Monumento, assim como Prestes, que foi perseguido pelo Estado em diversos regimes políticos. Ao redor do Beira Rio existe, portanto, muita memória de resistência e a resistência viva como no Quilombo da Família Lemos, do qual o seu patriarca ajudou a construir o Beira Rio, seu Jorge Lemos, já falecido. Nosso estádio é uma construção da resistência do povo.

Fazemos parte da construção de um caminho de memórias da resistência por dignidade, por moradia, por igualdade, por transformação para o povo trabalhador. Precisamos não apenas conhecer essas tantas memórias mas nos apropriar delas e resgatar esse espírito do povão colorado lutador e, como já foi colocado em outros textos, gritar essa energia lutadora das arquibancadas, assim que elas retornarem, para as jogadoras e para os jogadores irem pra cima dos seus adversários. Assim como muitos brasileiros e brasileiras deram a vida para garantir que hoje tenhamos direitos, nossos atletas devem incorporar essa força, que é a luta do nosso povo para enfrentar e vencer nossos adversários e inimigos, nos campos ou nas ruas.

Portanto se liguem no poder que nosso território tem, vamos resgatá-lo, preservá-lo e cultuá-lo!

Um comentário em “Caminhos de memória e luta!

  • 19/05/2021 em 11:04
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    VAMOS, POVO COLORADO, PRECISAMOS INCORPORAR NOSSA PRÓPRIA HISTÓRIA PARA LUTAR POR NOSSO CLUBE DO POVO VOLTAR A SER NOSSO

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